Declaração ocorreu em meio a confronto na Comissão da Mulher e gerou repercussão política e debate nas redes
Brasília, 9 de abril de 2026:
Um novo episódio de tensão marcou a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Na sessão desta quarta-feira (8), a deputada Socorro Neri (PP-AC) ameaçou usar a Lei Maria da Penha contra a presidente do colegiado, Erika Hilton (Psol-SP), alegando medo de agressão física.
Durante a reunião, parlamentares da oposição tentavam aprovar uma moção de repúdio contra Erika Hilton, acusada por colegas conservadoras de adotar um tom agressivo e de incitar militantes de esquerda contra deputadas da oposição. Socorro Neri criticou o comportamento da presidente da comissão e fez a declaração que gerou repercussão:
“A senhora grita e parece que vai partir para uma agressão. Se vier para cima de mim, para me enfrentar, vamos procurar a Lei Maria da Penha porque a senhora tem a força de um homem.”
A fala de Neri refere-se tanto ao estilo de condução das reuniões por Hilton quanto a postagens da deputada do Psol nas redes sociais, nas quais ela usou termos fortes para rebater críticas, como “imbeCIS”, direcionados, segundo ela, ao “esgoto da sociedade” e a pessoas que enviam ameaças de morte pela internet. Hilton negou que suas publicações fossem dirigidas especificamente a mulheres ou a colegas parlamentares.
O clima na comissão já estava acalorado com a presença de militantes no plenário. Um visitante ofendeu a deputada Clarissa Tércio (PP-PE), o que levou o deputado Delegado Éder Mauro (PL-PA) a intervir: ele derrubou o celular do homem e exigiu sua expulsão. A Polícia Legislativa removeu o indivíduo do local.
A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) tentou evitar a expulsão do militante, mas recuou diante do tumulto. A deputada Chris Tonietto (PL-RJ) decidiu encerrar a reunião para que os parlamentares da oposição acompanhassem Clarissa Tércio ao Departamento de Polícia Legislativa, onde registraram boletim de ocorrência contra o visitante. A oposição reforçou que não tolerará ataques de militância dentro da Câmara.
Contexto
O incidente ocorre em meio à polarização na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, especialmente após a eleição de Erika Hilton — uma deputada trans — para a presidência do colegiado. Parlamentares conservadoras têm questionado se ela representa adequadamente as pautas das mulheres, enquanto a esquerda defende sua atuação como uma ampliação dos direitos.
Até o momento, não há registro de que Socorro Neri tenha formalizado uma representação com base na Lei Maria da Penha. A declaração, porém, ganhou repercussão nas redes sociais e em veículos de imprensa, reacendendo o debate sobre tom dos debates, violência política e o uso de legislações específicas de proteção à mulher em contextos parlamentares.
A matéria reflete o aumento das tensões entre os blocos ideológicos na Câmara dos Deputados, onde sessões de comissões têm se tornado palco frequente de confrontos verbais e presenciais.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados