Indicado ao Supremo busca apoio no Senado em encontro com cerca de 38 congressistas em Brasília
Em busca de votos para sua sabatina no Senado, o advogado-geral da União Jorge Messias, indicado por Lula para uma vaga no STF, participou de um jantar articulado pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP), reunindo cerca de 38 parlamentares, incluindo a presença do ministro Cristiano Zanin, expoente da militância jurídica petista na Corte.
O evento, que ocorreu sem a participação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reforça a percepção de que a nomeação de Messias não se baseia em mérito jurídico inquestionável ou em consenso institucional, mas em pura articulação política, banquetes e pressão de aliados do Planalto dentro do próprio Supremo.
Enquanto o país assiste a um STF cada vez mais identificado com o governo de turno, com Zanin atuando como cabo eleitoral de um colega em potencial, o jantar expõe a natureza fisiológica da indicação: um operador leal do governo Lula, conhecido por defender teses alinhadas ao Palácio do Planalto, busca conquistar apoio com jantares e conversas reservadas, em vez de convencer pelo currículo ou pela defesa intransigente da Constituição.
Trata-se de mais um capítulo da captura progressiva do Supremo pelo petismo, onde a separação de Poderes cede lugar ao troca-troca de favores e à lógica de gratidão, transformando a mais alta Corte do país em extensão do comitê eleitoral do PT.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Metrópoles