CASO INSS TEM SUA PRIMEIRA DELAÇÃO, COM CONFISSÃO DE DESCONTOS ILEGAIS

REDAÇÃO

Maurício Camisotti admite descontos indevidos em aposentadorias e pode revelar núcleo político da Operação Sem Desconto

O empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro de 2025, confessou a existência de fraudes em descontos indevidos aplicados a aposentadorias e pensões do INSS e assinou acordo de delação premiada com a Polícia Federal. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (9 de abril de 2026) por veículos como Estadão, UOL, Folha de S.Paulo e SBT News. Trata-se da primeira delação formalizada na Operação Sem Desconto, que investiga um dos maiores esquemas de desvio de recursos previdenciários dos últimos anos, com prejuízos estimados em bilhões de reais para os beneficiários.
E Como funcionava o esquema
O golpe consistia principalmente em descontos irregulares nos contracheques de aposentados e pensionistas. Associações e entidades (como Ambec, Unabrasil e Cebap) firmavam acordos de cooperação técnica com o INSS e incluíam nomes de beneficiários sem autorização expressa, cobrando mensalidades por supostos “benefícios coletivos” ou convênios que, na prática, não eram solicitados nem prestados.
Esses valores eram descontados diretamente na folha de pagamento do INSS e repassados para as entidades, que funcionavam como fachada. Parte significativa do dinheiro chegava ao “núcleo financeiro” do esquema, do qual Camisotti é apontado como um dos principais beneficiários e operadores. A família Camisotti teria movimentado valores superiores aos atribuídos ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” — em alguns relatos da CPMI, até cinco vezes mais.
Camisotti era visto pela PF como sócio oculto de algumas dessas entidades e recebedor final de parte dos recursos desviados. Durante as investigações, foram apreendidos com ele e em endereços ligados ao grupo bens de luxo, como esculturas, quadros, armas e carros de alto valor.
A delação de Camisotti
Preso preventivamente na Operação Sem Desconto (mesma fase que capturou o “Careca do INSS”), Camisotti foi transferido em março de 2026 da Penitenciária II de Guarulhos para a Superintendência da PF em São Paulo justamente para facilitar as negociações da delação. Ele prestou depoimentos e, segundo as reportagens de hoje, admitiu as fraudes e assinou o acordo de colaboração premiada.
A delação ainda depende de homologação judicial (possivelmente pelo ministro André Mendonça, do STF). A expectativa do empresário é obter benefícios, como a progressão para prisão domiciliar. Fontes indicam que ele entregou nomes e detalhes sobre o funcionamento do esquema, incluindo possíveis envolvidos em núcleos político, administrativo e financeiro.
Contexto maior da investigação
A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal, desmonta uma rede complexa que atuava há anos. Além do núcleo financeiro (Camisotti e associados), há investigações sobre facilitação dentro do próprio INSS, acordos de cooperação questionáveis e lavagem de dinheiro. A CPMI do INSS no Congresso também acompanha o caso e ouviu depoimentos de familiares e testemunhas, reforçando a dimensão bilionária do rombo.
Camisotti, do ramo de seguros e planos de saúde (ligado ao Total Health Group), negava irregularidades antes da delação. Agora, sua colaboração pode acelerar novas fases da operação, gerar novas prisões e esclarecer como o esquema conseguiu operar por tanto tempo.
Esse caso expõe vulnerabilidades no sistema de benefícios do INSS e o impacto direto em milhões de aposentados e pensionistas brasileiros, que tiveram parte de seu rendimento reduzido indevidamente por anos.
O acordo ainda pode evoluir nas próximas semanas, com possíveis divulgações de mais detalhes pela PF ou pelo Judiciário.
Foto: Divulgação