Defesa leva caso à Corte de Cassação de Roma, última instância judicial, enquanto processo segue em análise pelas autoridades italianas
A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli recorreu à Corte de Cassação de Roma, última instância da Justiça italiana, contra a decisão da Corte de Apelação que autorizou sua extradição ao Brasil, abrindo uma janela crucial de até seis meses para que a magistratura italiana examine com rigor as graves denúncias de perseguição política e julgamento parcial orquestrado pelo Supremo Tribunal Federal, especialmente sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Presa injustamente em Roma desde julho de 2025, Zambelli, condenada no Brasil por fatos que seus advogados classificam como de natureza eminentemente política, envolvendo suposta invasão de sistemas e porte de arma, luta agora pela preservação de sua liberdade em um país que historicamente abriga exilados de regimes autoritários, confiando que a Corte de Cassação e, em última análise, o ministro da Justiça italiano Carlo Nordio reconheçam a impropriedade de entregar uma cidadã italiana, por dupla nacionalidade, a um sistema judiciário brasileiro marcado por ativismo excessivo, decisões monocráticas e cerceamento de direitos fundamentais de opositores.
Essa batalha jurídica não é apenas sobre o destino de uma parlamentar oposicionista corajosa, mas sobre o princípio universal de que a extradição não pode servir como instrumento de vingança política: enquanto o recurso tramita, Zambelli simboliza a resistência contra o arbítrio, e uma eventual negativa italiana representaria um duro revés à narrativa de “justiça” seletiva que tenta silenciar vozes dissonantes no Brasil.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: TV Globo