SUSPEITA DE PROPINA: PERU MIRA CONTRATO BILIONÁRIO DA PETROBRAS COM ODEBRECHT E QUEIROZ GALVÃO

REDAÇÃO

Autoridades peruanas apuram possíveis ligações entre acordo com empresas ligadas à Novonor e esquema de corrupção investigado no caso Rutas de Lima.

Lima, Peru – 13 de abril de 2026 :
O governo do Peru manifestou suspeitas de corrupção envolvendo um contrato bilionário da Petrobras assinado em 2025. As autoridades peruanas pediram acesso a documentos nos Estados Unidos para investigar possíveis ligações entre o acordo e um esquema de propinas e lavagem de dinheiro relacionado a concessões rodoviárias na capital peruana.
De acordo com documento obtido pela coluna do jornalista Paulo Cappelli, o contrato tem valor de aproximadamente US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 9 bilhões, dependendo da cotação). Ele foi firmado entre a Petrobras e as empresas Tenenge (unidade de engenharia industrial da Novonor, antiga Odebrecht) e AECT Infra, controlada pela Queiroz Galvão e pelo empresário brasileiro Ricardo Pereira Neto.
A suspeita surge no âmbito das investigações sobre o caso “Rutas de Lima”, um esquema de corrupção em concessões rodoviárias que envolve pagamento de propinas, financiamento ilegal de campanhas eleitorais e lavagem de dinheiro. O governo peruano enviou uma petição à Justiça americana para obter dados bancários e documentos que possam subsidiar processos criminais em andamento no país.

Movimentações financeiras suspeitas

O documento peruano destaca movimentações consideradas atípicas próximas à assinatura do contrato, em outubro de 2025. Entre elas:
  • Transferências rápidas de quase US$ 700 milhões entre o empresário Ricardo Pereira Neto (controlador da AECT Infra) e uma suposta entidade de fachada chamada Pyrum;
  • Um pagamento direto ao ex-CEO da Odebrecht no Peru, Jorge Barata, realizado um mês antes da firmação do contrato com a Petrobras.
As autoridades peruanas interpretaram essas operações como possível evidência da “continuidade da arquitetura de pagamentos da rede corrupta”, mesmo após o esquema ter se tornado público anos atrás. O texto afirma que as práticas investigadas persistem “muito depois de a corrupção ter se tornado pública”.
A Tenenge e a AECT Infra são parceiras em projetos, e o contrato com a Petrobras envolve também outra afiliada da antiga Odebrecht (hoje Novonor).

Contexto histórico

O Peru já foi um dos países mais afetados pela Operação Lava Jato no exterior. O escândalo da Odebrecht no país foi descoberto em investigações sobre ex-presidentes, ministros e altos funcionários, com dezenas de milhões de dólares em propinas confessadas pela própria empreiteira em delação premiada nos Estados Unidos.
Empresas brasileiras de construção, incluindo a Odebrecht e a Queiroz Galvão, foram citadas repetidamente em casos de sobrepreço e pagamento de vantagens indevidas em obras de infraestrutura no Peru, como rodovias e o metrô de Lima.
Até o momento, não há registro público de manifestação oficial da Petrobras sobre o caso. O Estado costuma afirmar, em situações semelhantes, que adota medidas rigorosas de compliance e coopera com as autoridades quando solicitado.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Reprodução