Investigação apura fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e possível ligação com o Comando Vermelho
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (14) a Operação Cítrico, que expõe mais um capítulo vergonhoso da captura do poder público pelo crime organizado na Paraíba: um suposto esquema milionário de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, estimados em até R$ 270 milhões, lavagem de dinheiro e financiamento ao Comando Vermelho (CV) na Prefeitura de Cabedelo.
O ápice do escândalo é o afastamento judicial do prefeito Edvaldo Neto (Avante), eleito há apenas dois dias em eleição suplementar, revelando que a infiltração de integrantes da facção nas estruturas municipais não é mais mera suspeita, mas uma realidade que transforma o erário em fonte de recursos para o tráfico e a violência.
Enquanto a população local amarga serviços precários, insegurança e contas públicas sangrando, agentes políticos e servidores supostamente aliados ao submundo usavam licitações fraudadas como mecanismo para desviar verbas e branquear o dinheiro sujo do crime.
Essa operação não é apenas uma investigação: é a prova concreta de como o Estado brasileiro, em nível municipal, se tornou refém de facções que elegem, nomeiam e mandam, exigindo não só punições exemplares, mas uma faxina profunda e imediata para impedir que o dinheiro do pagador de impostos continue alimentando o terror em vez de saúde, educação e segurança para os cidadãos de Cabedelo.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação