Relatório final aponta necessidade de apuração sobre morte de Luiz Phillipi Mourão e possíveis conexões com sistema financeiro e lavagem de dinheiro
O relatório final da CPI do Crime Organizado, entregue nesta terça-feira (14), lança uma sombra pesada sobre a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”: o homem que recebia R$ 1 milhão por mês diretamente de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, era peça-chave na investigação sobre a conexão entre o sistema financeiro e as estruturas de lavagem de dinheiro ligadas ao crime organizado.
Em vez de esclarecer o caso, as circunstâncias da morte do Sicário “carecem de mais investigações”, segundo o documento, o que levanta suspeitas graves de que uma testemunha ou operador central do esquema possa ter sido eliminado justamente quando o cerco apertava sobre Vorcaro e o banco apontado como “conexão” entre o mercado financeiro e facções criminosas.
Enquanto o Brasil assiste ao avanço do crime organizado infiltrando bancos, prefeituras e estruturas públicas, a morte conveniente de alguém que recebia R$ 12 milhões por ano pagos pelo dono de uma instituição financeira reforça a impressão de impunidade e de que forças poderosas atuam para enterrar a verdade.
Essa omissão investigativa não é apenas técnica: é sintoma de um Estado capturado que permite que operadores do submundo morram sem explicação, enquanto o dinheiro sujo continua fluindo pelo sistema financeiro nacional.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação