Comissão do senado derruba parecer de Alessandro vieira por 6 votos a 4 após articulação política
A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado, instalada no Senado Federal, rejeitou nesta terça-feira, 14 de abril de 2026, o relatório final apresentado pelo relator, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A votação terminou com placar de seis votos contra quatro, encerrando os trabalhos da comissão sem a aprovação do texto.
O parecer, com mais de 200 páginas, pedia o indiciamento por crimes de responsabilidade dos ministros do Supremo Tribunal Federal — Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes — além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. As acusações se concentravam na atuação dessas autoridades no caso do Banco Master, incluindo supostas omissões e interferências em investigações.
A rejeição ocorreu após articulação política envolvendo o governo federal, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e integrantes da base aliada, que promoveram mudanças na composição da comissão. A sessão desta terça-feira foi a última da CPI, cujo prazo não foi prorrogado.
Mesmo se aprovado, o relatório teria efeitos limitados. Comissões parlamentares de inquérito não possuem poder de indiciamento direto, cabendo o encaminhamento das conclusões a órgãos como o Ministério Público ou o próprio Supremo.
Ministros citados reagiram criticando o documento, classificando-o como inadequado e questionando a legitimidade de uma CPI para analisar decisões judiciais.
A CPI havia sido criada para investigar a atuação de facções criminosas e milícias, mas enfrentou obstáculos judiciais ao longo de seu funcionamento. Com o encerramento sem aprovação do relatório, o debate sobre o tema deve continuar no Congresso e na esfera pública.
Foto: Agência Senado