PABLO ESCOBAR NO PESCOÇO: O FUNK OSTENTAÇÃO DE MC RYAN QUE ROMANTIZA O NARCOTRÁFICO

REDAÇÃO

Acessório com imagem de Pablo Escobar encontrado com MC Ryan SP durante operação da PF levanta críticas sobre a romantização do narcotráfico

A Polícia Federal, em operação batizada de Narco Fluxo, deflagrada nesta quarta-feira (15), trouxe à tona mais um capítulo constrangedor da relação perigosa entre o funk ostentação brasileiro e o universo do crime organizado: na casa do funkeiro MC Ryan SP, os agentes apreenderam um colar que exibe o rosto de Pablo Escobar, o maior narcotraficante da história, emoldurado pelo mapa de São Paulo.
Enquanto as investigações apontam para uma sofisticada rede de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 1,6 bilhão em apenas dois anos, o acessório encontrado não é mero adereço de mau gosto, mas um símbolo explícito de admiração por um dos maiores assassinos em massa da América Latina, um homem responsável por milhares de mortes, atentados e pela destruição de gerações inteiras por meio do tráfico de cocaína.
Que um “artista” de sucesso, idolatrado por milhões de jovens da periferia, escolha ostentar publicamente a imagem de Escobar como troféu revela a profunda normalização da cultura do crime no entretenimento nacional.
Longe de ser “apenas um colar”, trata-se de um manifesto visual que romantiza o narcotráfico, glamoriza a violência e envia uma mensagem devastadora para a juventude: o caminho do dinheiro fácil e do poder absoluto passa pelo mundo do crime.
Em vez de promover superação ou talento, parte do funk brasileiro tem se transformado em propaganda velada do cartel, transformando bandidos em ícones pop.
A Polícia Federal cumpre seu papel ao investigar o fluxo financeiro suspeito; resta à sociedade e à indústria cultural fazer uma reflexão urgente: até quando vamos tolerar que o glamour do funk sirva de vitrine para o narcotráfico?
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação