Ministro do STF pede investigação contra senador após inclusão de seu nome em relatório da CPI do Crime Organizado
O ministro Gilmar Mendes recorreu à Procuradoria-Geral da República para pedir investigação por suposto abuso de autoridade contra o senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado.
O gesto é de uma hipocrisia monumental: enquanto o parlamentar cumpria seu dever constitucional ao incluir no relatório final pedidos de indiciamento de Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes por condutas que, segundo a CPI, configuram interferências indevidas em investigações, como manobras processuais para proteger interesses de colegas de toga e até inutilização de dados, o ministro reage com a clássica tática de criminalizar quem ousa fiscalizá-lo.
Gilmar, figura recorrente em polêmicas que misturam poder judiciário com ativismo político, não suporta o incômodo de ser tratado como qualquer outro cidadão passível a prestar contas; prefere acionar o sistema para intimidar o Legislativo, transformando crítica legítima em “constrangimento institucional” ou manobra eleitoreira.
Essa atitude revela não só a arrogância de quem se julga acima do escrutínio, mas também o desespero de uma Corte que, em vez de zelar pela transparência, age como um clube fechado disposto a tudo para se autoproteger.
No final, quem perde é a democracia brasileira, refém de ministros que detestam ser investigados tanto quanto adoram investigar os outros.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Sérgio Lima