EM NOVA MANOBRA ELEITOREIRA, HADDAD ATRIBUI AO GOVERNO BOLSONARO IDEIA DE TAXAR O PIX QUE NUNCA FOI IMPLANTADA

REDAÇÃO

Declaração sobre Pix reacende debate político e levanta críticas sobre responsabilidade por possível tributação

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad recorreu mais uma vez à estratégia de transferir responsabilidades para o governo anterior ao afirmar, neste domingo, que a ideia de taxar o Pix seria de responsabilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em publicação nas redes sociais, Haddad escreveu que “a taxação do Pix é ideia do Bolsonaro” e contrapôs o tema à liquidação do Banco Master, que teria sido mérito do atual governo Luiz Inácio Lula da Silva.
A declaração surge em meio a um novo embate político sobre o sistema de pagamentos instantâneos, criado e lançado durante a gestão Bolsonaro em 2020, e que se tornou símbolo de modernização financeira ao permitir transferências gratuitas e ágeis para milhões de brasileiros. Críticos veem na fala de Haddad uma tentativa clara de desviar o foco das polêmicas recentes envolvendo o atual governo, que enfrentou sucessivas ondas de desconfiança popular após normas da Receita Federal do Brasil que ampliavam o monitoramento de transações financeiras, inclusive via Pix.
Embora discussões sobre possíveis impostos sobre transações digitais tenham existido na equipe econômica de Paulo Guedes, o próprio Bolsonaro afirmou publicamente ter barrado qualquer avanço nesse sentido, inclusive em relação a propostas que envolviam o Pix ou mesmo a cerveja. A ideia não foi implementada no governo passado. Já no atual mandato, o governo Lula precisou recuar diversas vezes após virem à tona instruções normativas que geraram forte reação popular, com acusações de que se tratava de um passo inicial para maior controle ou futura tributação sobre movimentações do dia a dia.
Especialistas e opositores apontam que a narrativa de Haddad ignora o contexto: o Pix continua gratuito para pessoas físicas na maior parte das operações, mas o governo federal tem sido acusado de flertar com maior fiscalização, o que alimenta o temor de que, em algum momento, possa evoluir para novas cargas tributárias. Ao jogar a culpa exclusivamente no antecessor, o petista parece buscar blindar sua imagem e a do atual governo em um ano eleitoral sensível, especialmente quando atua como pré-candidato ao governo de São Paulo.
A manobra retórica de Haddad reforça a percepção de que, em vez de apresentar soluções concretas para a economia ou reconhecer os próprios desafios na gestão fiscal, o ex-ministro prefere reescrever a história recente para atacar adversários. O resultado é mais confusão para a população, que vê seu instrumento financeiro preferido transformado em moeda de troca política, enquanto o temor por novos impostos permanece latente.
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