Aquisição bilionária reforça disputa global por minerais estratégicos e reduz dependência da China
A empresa americana USA Rare Earth anunciou nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, um acordo definitivo para adquirir 100% do Serra Verde Group, proprietário da mina e planta de processamento de terras raras Pela Ema, localizada em Minaçu, no estado de Goiás. A transação tem valor aproximado de 2,8 bilhões de dólares e representa um passo estratégico para reduzir a dependência global da China no setor de minerais críticos.
O pagamento será feito com 300 milhões de dólares em dinheiro vivo e a emissão de cerca de 126,85 milhões de novas ações da USA Rare Earth. Com base no preço de fechamento das ações da empresa em 17 de abril, de 19,95 dólares por papel, o valor de equity da Serra Verde fica em torno dos 2,8 bilhões de dólares. A conclusão do negócio está prevista para o terceiro trimestre de 2026, dependendo de aprovações regulatórias, dos acionistas e de outras condições habituais.
A mina Pela Ema é atualmente a única operação em escala de produção de terras raras fora da Ásia capaz de entregar os quatro elementos magnéticos principais: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Esses materiais são essenciais para a fabricação de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas, drones, sistemas de defesa e diversos equipamentos eletrônicos. A Serra Verde já conta com um contrato de offtake de 15 anos que compromete 100% da produção da Fase 1, com pisos de preço garantidos para esses elementos. O acordo envolve uma estrutura de propósito especial capitalizada por entidades do governo americano e fontes de capital privado.
A aquisição cria uma das primeiras plataformas totalmente integradas da mina ao ímã fora da Ásia, combinando as operações de mineração no Brasil com as capacidades de processamento e produção de ímãs da USA Rare Earth nos Estados Unidos e em outros continentes. A empresa americana, listada na Nasdaq sob o ticker USAR, busca fortalecer a cadeia de suprimentos ocidental em meio à dominância chinesa, que controla cerca de 70% da extração e mais de 90% do refino de terras raras no mundo.
A Serra Verde recebeu anteriormente um pacote de financiamento de 565 milhões de dólares da DFC, agência de desenvolvimento internacional dos Estados Unidos, para expansão da produção. Com o negócio, a companhia combinada projeta alcançar um EBITDA anualizado de 550 a 650 milhões de dólares da Serra Verde até o final de 2027, com potencial de 1,8 bilhão de dólares em 2030.
As ações da USA Rare Earth reagiram positivamente ao anúncio, registrando forte alta no pré-mercado. O movimento reforça os esforços dos Estados Unidos e de seus aliados para diversificar fontes de minerais estratégicos e garantir suprimentos seguros para tecnologias de transição energética e segurança nacional.
Essa é uma das maiores aquisições recentes no setor de terras raras e destaca o crescente interesse internacional pela produção brasileira desses elementos críticos.
Foto: Divulgação