STF analisa manutenção de prisões preventivas em investigação sobre esquema bilionário no sistema financeiro
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal iniciou nesta quarta-feira, 22 de abril de 2026, o julgamento sobre a manutenção da prisão preventiva do ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, e do advogado Daniel Lopes Monteiro. O caso faz parte da Operação Compliance Zero, quarta fase das investigações do chamado Caso Master, que apura um esquema de corrupção, gestão fraudulenta e possíveis pagamentos de propina envolvendo o BRB e o Banco Master.
A prisão dos dois foi decretada no dia 16 de abril pelo ministro André Mendonça, relator do inquérito.
Segundo a decisão, há fortes indícios de que Paulo Henrique Costa atuava como mandatário do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, dentro do BRB. Em troca, ele teria negociado o recebimento de cerca de 140 a 146 milhões de reais em propina, possivelmente por meio da transferência de imóveis. A medida foi motivada pelo risco de destruição de provas e de interferência nas investigações.
O julgamento ocorre em plenário virtual e deve se estender até as 23h59 de sexta-feira, 24 de abril. Os ministros da Segunda Turma analisarão se referendam ou não a decisão individual de Mendonça.
O ministro Dias Toffoli deve se declarar suspeito e não participar da votação, por motivo de foro íntimo, conforme já ocorreu em outras etapas relacionadas ao Caso Master.
Paulo Henrique Costa e Daniel Monteiro estão detidos desde o dia 16 no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. A defesa busca a revogação da prisão ou, alternativamente, a concessão de prisão domiciliar. O resultado final do julgamento deve ser conhecido ao fim desta semana.
O Caso Master investiga fraudes bilionárias no sistema financeiro, incluindo operações irregulares entre o BRB e o Banco Master que teriam causado prejuízos significativos. A Operação Compliance Zero é mais uma etapa dessa apuração, que já levou à prisão de outros envolvidos em fases anteriores.
Foto: STF