Temporais provocam impactos em diversas cidades e reacendem debate sobre prevenção e infraestrutura nas áreas de risco
Mais uma vez, as fortes chuvas no Nordeste brasileiro cobram um preço alto em vidas e sofrimento: oito mortos, mais de dois mil desabrigados e 18 mil pessoas afetadas diretamente ou indiretamente em Pernambuco e Paraíba, com famílias inteiras obrigadas a se refugiar em abrigos improvisados.
Enquanto a população enfrenta a fúria das águas, fica evidente a irresponsabilidade crônica dos governos estaduais de Pernambuco e Paraíba, bem como do governo federal, que ano após ano falham em investir preventivamente em drenagem urbana, desassoreamento de rios, contenção de encostas e alertas eficazes.
Promessas de obras que nunca saem do papel, verbas de prevenção desviadas ou subutilizadas e uma máquina pública lenta para socorrer as vítimas revelam não apenas incompetência administrativa, mas um desprezo preocupante pela vida das populações mais vulneráveis do Nordeste.
Tragédias como essa não são meros “fenômenos da natureza”; são o resultado previsível de anos de negligência, má gestão e falta de planejamento, cobrando sempre dos mesmos: os mais pobres.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação