Auditoria identifica falhas de planejamento, logística e queda na demanda como fatores para desperdício de doses da CoronaVac
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União apontou desperdício de aproximadamente 260 milhões de reais em doses da vacina CoronaVac durante o período recente da pandemia de covid 19 no Brasil. O relatório indica que atrasos no processo de aquisição e distribuição teriam contribuído diretamente para a perda de imunizantes, que acabaram vencendo antes de serem aplicados na população.
De acordo com os dados analisados, parte significativa das vacinas foi comprada em um momento no qual a demanda interna já apresentava queda, impulsionada pelo avanço da cobertura vacinal com outros imunizantes e pela redução da percepção de risco da doença. Esse cenário levou a uma menor procura pela CoronaVac em postos de saúde, o que agravou o acúmulo de estoques.
O TCU também destacou falhas no planejamento logístico e na coordenação entre diferentes níveis da administração pública. Segundo a auditoria, houve dificuldades na redistribuição das doses para regiões com maior necessidade, além de problemas na definição de estratégias para utilização rápida dos imunizantes próximos do vencimento.
Outro ponto levantado foi a falta de campanhas eficazes de estímulo à vacinação em determinados períodos, o que poderia ter reduzido o volume de doses descartadas. Especialistas ouvidos em análises paralelas reforçam que, em contextos de emergência sanitária, a gestão de estoques e a comunicação com a população são fatores decisivos para evitar desperdícios.
O relatório ainda sugere que decisões tomadas em um ambiente de incerteza, comum durante a pandemia, contribuíram para a compra de quantidades superiores ao necessário em fases posteriores da crise. Embora a aquisição de vacinas em larga escala tenha sido considerada essencial nos momentos mais críticos, a ausência de ajustes mais ágeis ao longo do tempo resultou em perdas financeiras relevantes.
Em resposta às conclusões, autoridades afirmam que a aquisição de vacinas ocorreu em um contexto global de alta demanda e escassez, no qual garantir doses suficientes era prioridade. Também argumentam que parte das perdas é inerente a campanhas de vacinação em massa, especialmente em situações emergenciais.
O caso reacende o debate sobre a eficiência na gestão de recursos públicos durante a pandemia e reforça a necessidade de aprimorar mecanismos de planejamento, monitoramento de estoques e resposta rápida a mudanças no cenário epidemiológico.
Texto: Redação Diário 360