Governo estuda estratégia mais robusta após rejeição inédita no Senado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia reapresentar o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), desta vez acompanhado de uma estratégia política mais robusta para garantir aprovação no Senado. A informação foi revelada pelo jornalista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, com base em conversas reservadas de Lula com aliados.
Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o presidente não desistiu de Messias após a rejeição inédita de sua indicação pelo Senado, ocorrida em 29 de abril de 2026. Na ocasião, o plenário derrubou o nome do ministro da AGU por 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção — a primeira rejeição de um indicado ao STF desde 1894.
Messias havia sido indicado originalmente em novembro de 2025 para ocupar a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. A derrota no Senado representou um revés significativo para o governo, que agora busca recalibrar sua articulação política.
De acordo com relatos, Lula estuda o momento mais adequado para uma nova tentativa. Entre as possibilidades discutidas está aguardar um cenário político mais favorável, possivelmente após as eleições de outubro deste ano, quando a composição e o ambiente no Congresso podem estar mais alinhados aos interesses do governo.
Enquanto isso, o Planalto também considera alternativas, incluindo a indicação de um novo nome para o STF. Ainda assim, a possibilidade de insistir em Jorge Messias permanece forte, especialmente entre aliados próximos do presidente.
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou publicamente que Lula segue em processo de definição sobre a próxima indicação, sem confirmar qual caminho será adotado.
Nos bastidores, a avaliação é de que uma eventual reapresentação de Messias exigirá uma operação política mais estruturada, com maior diálogo com senadores e construção prévia de apoio para evitar uma nova derrota.
A movimentação ocorre em meio a um cenário de tensão entre Executivo e Legislativo, evidenciando os desafios do governo na consolidação de sua base no Congresso.
Foto: PR