PF VIU SINAIS CLAROS DE SAÍDA REPENTINA EM CASA LIGADA AO GRUPO BANCO MASTER EM TRANCOSO

REDAÇÃO

PF suspeita de vazamento na Operação Compliance Zero após identificar sinais de saída apressada em imóvel ligado ao grupo Banco Master em Trancoso

A Polícia Federal identificou sinais de possível vazamento de informações durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro de 2026, no âmbito das investigações do Caso Banco Master. Um dos episódios que mais chamou atenção dos investigadores aconteceu em Trancoso, no sul da Bahia, em um imóvel ligado a Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro e apontado como integrante da estrutura empresarial do grupo investigado.
Segundo relatos presentes na investigação, os agentes chegaram ao endereço para cumprir mandados de busca e apreensão e encontraram indícios de que os moradores haviam deixado o local pouco antes da operação. O quarto do casal estava com lençóis revirados, o ar-condicionado ligado e sinais considerados incompatíveis com uma saída planejada ou longa ausência. Para os investigadores, o cenário reforçou a suspeita de que houve uma saída apressada minutos antes da chegada da PF.
Funcionários da residência, incluindo a babá da família, informaram aos policiais que Felipe Vorcaro e a esposa haviam “ido à academia”. Cerca de 20 minutos após o início da ação, os sogros do investigado chegaram ao imóvel utilizando um carrinho de golfe, detalhe que acabou viralizando nas redes sociais e alimentando versões populares sobre o episódio.
Apesar da repercussão, a Polícia Federal não afirma que Felipe Vorcaro fugiu utilizando o carrinho. O que consta na apuração é que os investigadores interpretaram toda a sequência de acontecimentos como um forte indicativo de aviso prévio sobre a operação. Outro fator que aumentou as suspeitas foi o fato de não terem sido encontrados celulares, notebooks ou dispositivos eletrônicos no imóvel — justamente os principais itens buscados pelos agentes.
O episódio de Trancoso não teria sido isolado. Relatórios da PF apontam que outros alvos da mesma operação também apresentaram comportamentos considerados atípicos, como apartamentos parcialmente esvaziados antes das buscas e advogados aguardando a chegada dos policiais ainda na entrada de alguns endereços. Para os investigadores, os fatos sugerem um padrão de possíveis vazamentos internos que teria comprometido parte das diligências.
As investigações sobre o grupo Banco Master avançaram nos meses seguintes e ganharam um novo capítulo nesta quarta-feira (7), quando Felipe Cançado Vorcaro foi preso em mais uma fase da operação. A PF suspeita que ele atuava em movimentações financeiras e articulações relacionadas ao esquema investigado, incluindo operações que envolveriam pagamentos ilícitos e contatos políticos citados ao longo das apurações.
O Caso Master se tornou um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. Além das suspeitas de fraudes bilionárias e irregularidades no sistema financeiro, a investigação passou a envolver possíveis conexões políticas, vazamentos de informações sigilosas e tentativas de obstrução das ações policiais.
A narrativa do “primo que desapareceu minutos antes da PF chegar” acabou se transformando em um dos episódios mais comentados da operação justamente pela combinação de elementos incomuns: a saída repentina, o imóvel praticamente abandonado às pressas, os aparelhos eletrônicos desaparecidos e a chegada dos familiares em um carrinho de golfe em meio à ação policial. Nos bastidores da investigação, porém, o caso é tratado como mais um exemplo de como operações sensíveis podem ser impactadas por vazamentos antecipados de informação.
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