VERGONHA PÚBLICA: DEPUTADO THIAGO RANGEL É FLAGRADO SERVINDO TRAFICANTE DENTRO DA ASSEMBLEIA

REDAÇÃO

PF aponta troca de cargos e favores entre deputado e integrante do TCP em esquema que atingia a Educação do RJ

O deputado estadual Thiago Rangel, filiado ao Avante, foi preso preventivamente na terça feira, 5 de maio, durante a quarta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal. A ação apura um esquema de fraudes em licitações e desvios de recursos na Secretaria Estadual de Educação, com foco em contratos de obras e reformas de escolas públicas no Norte Fluminense, especialmente na região de Campos dos Goytacazes.
De acordo com as investigações, Rangel atuava como um dos braços de uma organização criminosa maior, supostamente liderada pelo ex presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, também já preso. A PF aponta que o parlamentar comandava as fraudes na região Noroeste do estado, direcionando obras para empresas previamente ajustadas, com posterior desvio de verbas públicas.
Um dos aspectos mais graves revelados pela operação envolve a relação próxima de Rangel com o traficante Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como Júnior do Beco. Apontado por investigações da Polícia Civil como um dos chefes do Terceiro Comando Puro (TCP) em Campos dos Goytacazes, o criminoso possui condenação por tráfico de drogas e homicídio doloso desde 2021. Relatórios policiais o descrevem, junto com o irmão Thiago Batista da Silva, como “chefes e matadores” que usavam extrema violência, incluindo homicídios e corrupção de menores, para expandir o controle territorial do grupo.
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram que Rangel ofereceu cargos públicos na área da Educação para indicações feitas por Júnior do Beco. O deputado teria disponibilizado vagas de auxiliar de serviços gerais (ASG), informando que, das oito disponíveis, duas seriam destinadas ao traficante. Uma planilha enviada a assessores listou nomes como Gleice Maria Batista da Silva, irmã de Júnior do Beco, e Ildilene Rangel, esposa de um investigado em operação anterior contra o tráfico na região.
A PF destaca que o contato salvo como “Júnior do Beco” demonstra a proximidade entre o parlamentar e o criminoso. Rangel teria pedido a um assessor que negociasse diretamente com o traficante para preencher as vagas. Essa troca de favores reforça as suspeitas de que o esquema envolvia não apenas corrupção, mas também a infiltração de influências do crime organizado em estruturas públicas.
A prisão de Thiago Rangel foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Ao todo, a fase da operação cumpriu sete mandados de prisão e 23 de busca e apreensão em cidades como Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. As investigações indicam que o esquema pode ser ainda mais amplo, com possível envolvimento de outros parlamentares.
O patrimônio declarado por Rangel à Justiça Eleitoral chamou atenção, com aumento superior a 700% em dois anos. Além das fraudes em licitações, mensagens encontradas em seu celular revelaram planos de retaliação contra opositores, incluindo referências a ataques violentos.
A Operação Unha e Carne, que já havia prendido Rodrigo Bacellar em fases anteriores, continua em andamento e busca desarticular uma rede que comprometeu recursos destinados à educação pública no Rio de Janeiro. As autoridades destacam que o caso expõe a ligação perigosa entre poder político e crime organizado em regiões estratégicas do estado.
Texto: Redação Diário 360
Foto: Reprodução