Jerome Cadier afirma que eventual mudança na jornada dos aeronautas pode inviabilizar voos de longa duração operados por companhias brasileiras.
O CEO da LATAM Brasil, Jerome Cadier, afirmou nesta terça-feira (5) que uma eventual aprovação do projeto que prevê o fim da escala 6×1 poderá comprometer a operação de voos internacionais no país. A declaração foi feita durante a coletiva de divulgação dos resultados financeiros da companhia referentes ao primeiro trimestre de 2026.
Segundo o executivo, caso a proposta seja aplicada também aos aeronautas — incluindo pilotos, copilotos, comissários e mecânicos — a operação de voos de longa duração se tornaria inviável dentro das novas regras de jornada de trabalho.
“Se um projeto assim for implementado, o Brasil não vai ter mais operação internacional, pois não poderemos operar voos de mais de oito horas”, afirmou Cadier.
Entenda a discussão
A proposta debatida no Congresso Nacional busca reduzir a jornada tradicional conhecida como escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para descansar apenas um. O texto em análise prevê uma reorganização da carga horária semanal, aproximando-se de formatos como o 5×2, já adotado em diversos setores.
No caso da aviação, representantes do setor afirmam que a atividade já opera sob regras específicas de descanso e segurança, alinhadas a normas internacionais da aviação civil. Para as companhias aéreas, mudanças rígidas sem exceções poderiam impactar diretamente voos de longa distância.
Repercussão política e econômica
A fala do CEO da LATAM gerou forte repercussão nas redes sociais e na imprensa. Veículos como CNN Brasil, Poder360, Gazeta do Povo e Revista Oeste repercutiram a declaração ao longo do dia.
Parlamentares favoráveis à redução da jornada criticaram o posicionamento do executivo. A deputada Erika Hilton, uma das defensoras da pauta trabalhista, classificou o argumento como exagerado e afirmou que outros países já operam com jornadas menores sem comprometer a aviação internacional.
Especialistas do setor, por outro lado, defendem que a aviação necessita de tratamento diferenciado devido à complexidade das operações, principalmente em rotas intercontinentais.
Projeto ainda não foi aprovado
Apesar da repercussão, a proposta ainda está em discussão no Congresso Nacional e não há definição sobre sua aprovação ou sobre possíveis regras específicas para categorias como a dos aeronautas.
O posicionamento da LATAM reflete a preocupação de empresas do setor aéreo com os impactos operacionais e econômicos que mudanças na legislação trabalhista poderiam causar nas operações internacionais brasileiras.
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