BANCO MASTER: INVESTIGAÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL AVANÇA SOBRE FUNDOS DE PREVIDÊNCIA MUNICIPAIS.

REDAÇÃO

Polícia Federal aprofunda apurações sobre aplicações milionárias de fundos previdenciários municipais em ativos de risco ligados ao Banco Master

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, mais uma operação relacionada ao escândalo financeiro envolvendo o Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central após uma série de investigações sobre captação irregular de recursos e venda de ativos de alto risco para fundos de previdência pública e privada em diversas regiões do país.
A ação de hoje tem como foco um instituto de previdência municipal do estado de São Paulo que aplicou aproximadamente R$ 107 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master. Os investimentos foram realizados mesmo diante do perfil conservador exigido para fundos previdenciários responsáveis pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos.
Segundo informações obtidas por investigadores e confirmadas por fontes ligadas à operação, os recursos foram direcionados para títulos classificados no mercado financeiro como ativos de risco elevado, com baixa liquidez e forte dependência da saúde financeira do banco emissor. Com a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, os valores investidos passaram a enfrentar graves dificuldades de recuperação.
A operação desta quarta integra um conjunto de ações maiores conduzidas pela Polícia Federal ao longo de 2026 dentro das investigações conhecidas como Compliance Zero, Moral Hazard e Barco de Papel, todas relacionadas à atuação do Banco Master no mercado financeiro. As apurações apontam que o banco utilizava agressiva estratégia de captação junto a institutos previdenciários municipais e entidades gestoras de recursos públicos, oferecendo taxas muito acima das praticadas por instituições tradicionais.
Em abril deste ano, outra operação semelhante já havia sido realizada em Santo Antônio de Posse, interior paulista, envolvendo cerca de R$ 13 milhões aplicados no mesmo banco. Na ocasião, investigadores identificaram movimentações consideradas incompatíveis com os critérios técnicos normalmente exigidos para gestão previdenciária.
As investigações mostram que dezenas de fundos previdenciários pelo Brasil adquiriram Letras Financeiras do Banco Master em operações intermediadas por consultorias financeiras e agentes do mercado que atuavam diretamente junto a gestores municipais. Parte dessas aplicações teria ocorrido sem análises completas de risco, pareceres técnicos consistentes ou estudos aprofundados sobre a capacidade financeira da instituição bancária.
Documentos obtidos pela Polícia Federal indicam que o Banco Master ampliou sua exposição a operações de alto risco nos últimos anos, utilizando recursos captados junto aos fundos para sustentar estruturas financeiras complexas e investimentos considerados frágeis pelo mercado. O modelo passou a chamar atenção de órgãos de controle após o crescimento acelerado da instituição em segmentos pouco transparentes do sistema financeiro.
Com a deterioração da situação financeira do banco e posterior intervenção das autoridades monetárias, institutos de previdência passaram a enfrentar perdas bilionárias potenciais em diferentes estados. Técnicos do setor alertam que os impactos podem atingir diretamente a sustentabilidade atuarial de fundos responsáveis pelo pagamento futuro de aposentadorias de servidores municipais.
A operação realizada hoje contou com cumprimento de mandados de busca e apreensão, coleta de documentos financeiros, contratos de investimento, pareceres internos e registros de reuniões entre representantes do instituto previdenciário e operadores ligados ao Banco Master. A PF também apura a atuação de intermediários financeiros que participaram da estruturação das aplicações.
Fontes próximas às investigações afirmam que a análise agora busca mapear toda a cadeia de decisões que levou recursos previdenciários públicos a serem concentrados em ativos de risco elevado ligados ao banco liquidado. O foco inclui autorizações internas, pareceres de consultorias, atas de comitês financeiros e movimentações realizadas nos meses anteriores ao agravamento da crise do Banco Master.
O caso já é tratado nos bastidores do mercado financeiro como um dos maiores escândalos envolvendo fundos previdenciários municipais dos últimos anos. A dimensão nacional das operações e o volume de recursos envolvidos fizeram crescer a pressão por mudanças nas regras de governança e fiscalização sobre investimentos realizados por institutos de previdência pública no Brasil.
As investigações seguem em andamento e novas fases da operação não estão descartadas.
Foto: Agência Brasil