REUNIÃO: LULA DISSE A VORCARO QUE COM GALÍPOLO “SERIA DIFERENTE” E CAMPOS NETO ERA “PERSEGUIDOR” AO BANQUEIRO.

REDAÇÃO

Declarações sobre encontro no Planalto ampliam debate sobre autonomia do Banco Central e crise do Banco Master

Brasília – Durante reunião realizada no Palácio do Planalto em dezembro de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que a gestão de Gabriel Galípolo no Banco Central seria diferente da anterior. Segundo relatos do encontro, Lula afirmou que o novo presidente do BC atuaria de forma técnica e imparcial.
De acordo com depoimentos posteriores e declarações públicas, Lula orientou Galípolo a tratar os assuntos de maneira isenta, sem proteção ou perseguição a qualquer instituição. “Isso não é tema da Presidência, é do Banco Central. Lá você será tratado de forma técnica”, teria dito o presidente ao banqueiro, reforçando que a análise seria “doa a quem doer”.
Vorcaro, por sua vez, relatou ao presidente sofrer perseguição no mercado financeiro e afirmou que havia interesses em “derrubar” ele e o Banco Master. Lula mencionou publicamente esse desabafo em fevereiro de 2026, confirmando que o banqueiro relatou “a perseguição que estava sofrendo, que tinha gente interessada em derrubar ele”. O presidente associou parte das dificuldades do banco ao período anterior, atribuindo o que chamou de “ovo da serpente” à gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central.
Gabriel Galípolo, que assumiu a presidência do BC em janeiro de 2025, compareceu à reunião e, em depoimento à CPI do Crime Organizado em abril de 2026, confirmou a orientação de Lula para atuar com máxima tecnicidade, sem “pirotecnia”. Galípolo também afirmou que as investigações internas do Banco Central não encontraram indícios de irregularidades cometidas por Campos Neto na autorização da operação do Banco Master em 2019.
O caso ganhou repercussão com as investigações sobre o Banco Master e virou tema de debates políticos, dividindo opiniões entre governo e oposição. Enquanto o Planalto defende a atuação técnica da atual diretoria do BC, críticos veem nas declarações de Lula uma tentativa de interferência política na instituição.
Até o momento, nem Roberto Campos Neto nem a defesa do ex-presidente do BC se manifestaram sobre as acusações de suposta tentativa de derrubada do banqueiro. O Banco Central, sob comando de Galípolo, mantém que todas as decisões seguem critérios técnicos e regulatórios.
Foto: Agência Brasil