Viagem de Moraes com Hugo Motta antecedeu arquivamento de investigação no STF
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-RJ), e o ministro Alexandre de Moraes viajaram juntos em um voo oficial da FAB de São Paulo para Brasília no dia 11 de maio, apenas dez dias antes de Moraes determinar o arquivamento de um inquérito que investigava o próprio Motta e outros parlamentares por suposta entrada irregular de bagagens sem fiscalização alfandegária.
O voo partiu de um avião particular de Fernando Oliveira Lima, empresário ligado a plataformas de apostas do “jogo do tigrinho”, contexto que amplia as sombras sobre o caso.
Embora a Procuradoria-Geral da República tenha opinado pelo arquivamento por falta de indícios diretos contra os deputados, o timing cirúrgico da decisão de Moraes, logo após o contato pessoal com o investigado, alimenta forte percepção de promiscuidade institucional e possível troca de favores.
Num país onde a Lava Jato já expôs como relações pessoais influenciam decisões judiciais, o episódio soa como mais um capítulo da captura recíproca entre Legislativo e Judiciário, onde coincidências convenientes se acumulam e a sociedade assiste, novamente, ao espetáculo de quem deveria fiscalizar um ao outro acabando por se proteger mutuamente.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Metrópoles