CEARÁ REFÉM DAS FACÇÕES, PCC E CV DOMINAM TERRITÓRIOS ENQUANTO ELMANO CRITICA EUA: “INTERFERE A SOBERANIA”

REDAÇÃO

Facções ampliam domínio territorial no Ceará enquanto governador critica classificação de PCC e CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos

Fortaleza – O Ceará vive sob o domínio crescente das facções criminosas, um cenário de terror que expõe a fragilidade do Estado e a incapacidade de autoridades em conter a violência que assola periferias, expulsa famílias e transforma bairros inteiros em territórios controlados pelo crime. Enquanto o governador Elmano de Freitas (PT) critica a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, o estado registra números alarmantes de homicídios impulsionados exatamente por essas mesmas facções.
Segundo o próprio Elmano, cerca de 90% dos assassinatos no Ceará decorrem de disputas entre pelo menos sete grupos criminosos. O Comando Vermelho avança sobre áreas antes dominadas por facções locais como os Guardiões do Estado (GDE), gerando expulsões forçadas de moradores, extorsões e um clima de pânico constante nas comunidades. O estado, que já figurou entre os mais violentos do país, vê famílias inteiras abandonarem suas casas por medo de retaliações, enquanto o tráfico de drogas e armas ganha terreno estratégico na costa.
Em meio a esse caos, a reação do governador à medida americana foi de dura oposição. Elmano argumentou que tratar PCC e CV como terroristas impediria a Polícia Civil de investigar esses grupos, transferindo a competência exclusivamente para a Polícia Federal — uma limitação que, segundo ele, só beneficiaria o crime organizado. A posição ecoa a preocupação do governo federal com suposta ameaça à soberania, mas soa dissonante para quem convive diariamente com a realidade de ruas dominadas por facções.
Críticos apontam que anos de gestão petista no Ceará não conseguiram reverter o avanço do crime organizado. Em vez de domínio efetivo do poder público, o que se vê é uma disputa territorial sangrenta que deixa a população refém. Expulsões, tiroteios frequentes e o medo instalado nas periferias de Fortaleza e do interior revelam um estado que perdeu o controle de parte significativa de seu território para o narcotráfico e as milícias armadas.
Enquanto o governador contesta ações externas de combate ao crime internacional, o Ceará segue sangrando. A “dominação com base na violência”, como definem até mesmo secretários de segurança, transforma a promessa de ordem pública em uma distante ilusão para milhares de cearenses que hoje vivem sob o jugo das facções. A pergunta que persiste é até quando o poder público vai assistir passivamente a essa entrega de soberania ao crime.
Foto: Agência Brasil