Permanência de sessões remotas na câmara municipal gera críticas sobre transparência, fiscalização e independência entre os poderes no município cearense
Ararendá (CE) — A Câmara Municipal de Ararendá mantém há anos sessões exclusivamente virtuais, em um isolamento que contrasta com a volta ao trabalho presencial adotada pela imensa maioria dos legislativos municipais do país. Enquanto a população ararendaense enfrenta problemas diários, os vereadores da Mesa Diretora, liderados pela presidente Rachel Eduardo (PT), seguem sem comparecer fisicamente à sede do Legislativo, gerando duras críticas sobre transparência, desperdício de recursos públicos e distanciamento dos eleitores.
Rachel Eduardo, casada com o prefeito Aristeu Eduardo (PT), acumula o comando do Legislativo em um arranjo que opositores e moradores consideram grave erosão da independência entre os Poderes. A proximidade familiar e partidária entre Rachel Eduardo e Aristeu Eduardo alimenta questionamentos sobre o real equilíbrio institucional no município, especialmente diante dos milhões de reais destinados anualmente ao funcionamento da Câmara.
Além da permanência remota, relatos consistentes na cidade apontam que o casal Rachel Eduardo e Aristeu Eduardo mantém residência em Ipueiras, município vizinho. A informação reforça a percepção de que os principais gestores de Ararendá estariam distantes da realidade cotidiana e dos problemas enfrentados pela população local.
Os quatro vereadores que compõem a Mesa Diretora são apontados como os únicos no Brasil que resistem em retomar as sessões presenciais, mesmo anos após o fim da pandemia. A decisão interna, mantida mesmo com transmissões pelo YouTube, é vista por críticos como símbolo de comodismo e falta de compromisso com a fiscalização e o debate público aberto.
Moradores e opositores têm cobrado insistentemente maior presença física, transparência efetiva e aproximação real dos representantes com a cidade. Até o momento, Rachel Eduardo e os demais membros da Mesa não sinalizaram mudança de postura, mantendo o modelo virtual que, para muitos ararendaenses, representa o aprofundamento do fosso entre o Poder Legislativo e a população que deveria representar.
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