Empresária afirma que contrato de internet gratuita foi regular e rejeita suspeitas investigadas pela Polícia Civil de São Paulo
São Paulo, 1º de junho de 2026 — A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira a Operação Wi-Fi, com mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), à produtora Go Up Entertainment e à Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. A ação mira um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a ONG e a Prefeitura de São Paulo para a instalação e manutenção de 5 mil pontos de wi-fi gratuito em periferias da capital.
A empresária Karina Ferreira da Gama, presidente do ICB e sócia da Go Up Entertainment — produtora do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro —, está no centro das apurações. As suspeitas incluem fraude na licitação, irregularidades na execução do contrato, possível superfaturamento e até desvio de recursos públicos para custear atividades da produtora, com menções a “confusão patrimonial” entre as empresas.
A deflagração ocorre em meio a um intenso debate político na capital paulista. Críticos veem na ação um possível viés político, especialmente por envolver uma produção cultural ligada ao ex-presidente Bolsonaro em um ano eleitoral. A investigação, que já vinha sendo conduzida há meses a partir de reportagens e representações ao Ministério Público, ganhou contornos de operação policial justamente quando o contrato seguia em execução, com a ONG alegando ter instalado milhares de pontos de acesso.
Especialistas em direito administrativo questionam a proporcionalidade de buscas amplas, que atingiram inclusive a sede da Secretaria Municipal, em uma gestão que defende a regularidade do processo licitatório. A Prefeitura de São Paulo, comandada por Ricardo Nunes (MDB), informou que colabora plenamente com as autoridades e reafirma que o contrato atendeu às exigências do edital.
Karina Ferreira da Gama nega veementemente qualquer irregularidade. Em manifestações anteriores, a empresária afirmou que o processo de contratação foi totalmente regular, cumpriu todas as exigências legais e que o serviço está sendo prestado de forma efetiva. Ela sustenta não haver qualquer ligação entre os recursos do programa WiFi Livre SP e a produção do filme “Dark Horse”, que teria financiamento exclusivamente privado e internacional.
A empresária já havia denunciado anteriormente ser vítima de extorsão e fraude processual por parte de um prestador de serviços ligado ao ICB, tendo registrado ocorrência na Polícia Civil. Sobre notas fiscais questionadas em reportagens, ela afirmou desconhecer cancelamentos feitos por fornecedores e que eventuais ajustes apontados por ela própria estão sendo regularizados na prestação de contas.
O acordo previa a instalação de internet gratuita em áreas vulneráveis da cidade por 12 meses. Defensores do projeto destacam a importância social da iniciativa em um momento de expansão da conectividade pública. Questionamentos sobre o valor por ponto, superior ao praticado pela Prodam em contratos anteriores, são rebatidos pela defesa com argumentos de que o escopo incluía operação e manutenção contínua, além de exigências técnicas mais amplas.
A operação desta segunda ainda está em andamento. Até o momento, não há informações sobre prisões ou indiciamentos. A empresária e suas empresas ainda não se manifestaram publicamente sobre a ação específica de hoje, mas a linha de defesa adotada até aqui é de que se trata de mais um episódio de perseguição política e midiática contra iniciativas que fogem do circuito tradicional de poder em São Paulo.
O caso segue sob sigilo em parte de suas apurações e deve render novos capítulos nas próximas semanas, tanto no âmbito policial quanto no debate público sobre contratações da administração municipal.
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