Fórum de Lisboa reúne autoridades e lideranças para debater temas nacionais em Portugal.
Enquanto o Brasil enfrenta crises econômicas, institucionais e sociais que demandam soluções urgentes dentro de suas fronteiras, o ministro Gilmar Mendes, decano do STF, transforma mais uma edição do Fórum de Lisboa em um autoelogio pomposo.
Ao declarar que o evento se tornou um “fórum mundial”, com ingressos de até R$ 1.200, longe do alcance da esmagadora maioria dos brasileiros, o magistrado revela a desconexão elitista de parte da cúpula do Judiciário: autoridades públicas viajam às custas dos pagadores de impostos (ou de patrocinadores) para debater “os rumos do Brasil” em Portugal, entre vinhos do Porto e pastéis de Belém, em um luxuoso “Gilmarpalooza” que mistura judiciário, executivo e interesses privados.
Mendes justifica o espetáculo como “contribuição” relevante para o país, mas a realidade é mais incômoda: um ministro vitalício do Supremo, que deveria zelar pela Constituição em Brasília, prefere palcos europeus pagos a peso de ouro para discutir soberania, tecnologia e democracia, temas que, ironicamente, ele e seus pares tratam com frequência de forma autoritária dentro do Brasil.
Longe da população que supostamente serve, o evento reforça a percepção de uma casta intocável que debate o destino nacional em conforto expatriado, enquanto cobra dos brasileiros sacrifícios e obediência.
Uma contribuição? Para a própria imagem e rede de poder, talvez. Para o país real, cada vez menos.
Texto: Rodolfo Oliveira
Foto: Divulgação