Relatório americano cita decisões de ministros do Supremo entre os fatores analisados na investigação que levou à imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
O governo dos Estados Unidos oficializou nesta terça-feira (2) a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros, concluindo uma investigação comercial que colocou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) entre os principais elementos citados pelas autoridades americanas.
Conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a investigação da Seção 301 apontou supostas práticas consideradas prejudiciais aos interesses americanos e mencionou diretamente decisões dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. O relatório cita medidas relacionadas à atuação das plataformas digitais, liberdade de expressão e decisões judiciais envolvendo a Odebrecht, utilizando esses casos como parte da justificativa para as sanções comerciais.
A inclusão de atos do STF em uma investigação de natureza comercial chamou atenção por ampliar o escopo tradicional desse tipo de procedimento, normalmente focado em barreiras tarifárias, subsídios e práticas econômicas.
O anúncio aumenta a tensão entre Brasília e Washington e abre um novo capítulo na relação entre os dois países. O governo brasileiro reagiu com críticas à decisão, classificando a medida como uma interferência em assuntos internos e avaliando possíveis respostas diplomáticas e comerciais.
O senador Flávio Bolsonaro negou qualquer participação na adoção das tarifas e afirmou que, durante encontros recentes com lideranças americanas, defendeu que empresas e produtos brasileiros não fossem penalizados. Integrantes do governo Lula, por outro lado, apontam motivações políticas por trás da decisão e criticam a aproximação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro com autoridades da administração Trump.
Com a entrada em vigor da tarifa adicional de 25%, exportadores brasileiros acompanham com preocupação os possíveis impactos sobre setores estratégicos da economia. Especialistas avaliam que a medida poderá afetar a competitividade de diversos produtos nacionais no mercado americano e gerar novos desdobramentos diplomáticos nas próximas semanas.
A decisão reforça o papel central desempenhado pelo STF no relatório americano, que transformou decisões dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli em um dos principais focos da investigação que culminou no novo tarifaço contra o Brasil.
Foto: STF