TENDO ATÉ 15 DE JULHO PARA ALIVIAR TARIFAÇO, LULA ACUSA OS EUA DE UM “GOLPE” DE 1964 EM VEZ DE NEGOCIAR

REDAÇÃO

Governo prioriza críticas históricas aos Estados Unidos enquanto prazo para evitar novas tarifas se aproxima.

Brasília – Com o prazo de 15 de julho se aproximando de forma inexorável, o Brasil enfrenta o risco concreto de um novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que pode aplicar alíquotas adicionais de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros. A medida, resultado de uma investigação da Seção 301 conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), acusa o país de práticas comerciais consideradas irrazoáveis e prejudiciais, como o sistema Pix, tarifas preferenciais concedidas a nações como México e Índia, falhas na proteção de propriedade intelectual, restrições ao etanol americano e questões relacionadas ao desmatamento ilegal.
Apesar da urgência, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem priorizado um tom de confronto histórico em vez de uma negociação pragmática e intensiva. Em vez de concentrar esforços em resolver as demandas americanas nas próximas semanas, o Palácio do Planalto tem recorrido a acusações contra os Estados Unidos pelo golpe militar de 1964, resgatando um episódio de mais de mais de seis décadas para justificar a atual deterioração das relações bilaterais.
Especialistas e opositores avaliam que essa estratégia ideológica expõe a fragilidade da diplomacia lulista. Enquanto o presidente Donald Trump oferece margem para diálogo antes do prazo final — com audiência pública marcada para 6 de julho e comentários até o dia 1º —, o governo brasileiro classifica as propostas americanas como “absurdas” e politicamente motivadas, sem apresentar uma contraoferta robusta ou concessões concretas que poderiam mitigar os danos.
O potencial tarifaço ameaça exportações brasileiras avaliadas em bilhões de dólares, afetando setores sensíveis da economia e colocando em risco empregos e a balança comercial. Produtos como carnes, café, minerais e componentes aeronáuticos teriam exceções, mas a lista de itens impactados permanece extensa. Economistas alertam para perdas significativas que poderiam comprometer o já modesto crescimento projetado para o país.
Críticos do governo sustentam que a postura de Lula reflete uma mistura de ideologia e inabilidade negociadora. Em vez de fortalecer laços com o principal parceiro comercial do Brasil no hemisfério, a administração petista optou por elevar o tom retórico, inclusive associando as pressões comerciais atuais a supostas ingerências passadas. Essa abordagem, segundo analistas, isolou ainda mais o país e beneficiou apenas o discurso doméstico de soberania, em detrimento dos interesses econômicos concretos dos brasileiros.
Com o relógio correndo até 15 de julho, resta pouco tempo para que o governo mude de rumo e priorize o pragmatismo sobre o confronto. Até o momento, porém, a preferência por acusações históricas em vez de soluções concretas sinaliza mais uma falha na gestão da política externa brasileira.
Foto: PR