ENQUANTO CEARÁ SOFRE COM SAÚDE E SEGURANÇA, MP DESTINA R$ 44 MIL DO SEU DINHEIRO PARA PROMOTORES IREM À COPA DO MUNDO

REDAÇÃO

Ministério Público do Ceará autorizou pagamento de mais de R$ 44 mil em diárias para integrantes da instituição acompanharem a Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos e Canadá, medida que gerou críticas sobre prioridades no uso de recursos públicos.

Fortaleza – O Ministério Público do Ceará (MP-CE) destinou R$ 44.409,39 em diárias de dinheiro público para que dois promotores de Justiça e o próprio procurador-geral viajassem aos Estados Unidos e ao Canadá a fim de acompanhar jogos da Copa do Mundo de 2026.
A decisão, revelada nesta quinta-feira, gerou imediata repercussão negativa e críticas de desperdício de recursos em um estado marcado por carências nas áreas de saúde, educação e segurança pública. Os beneficiados são os promotores Déric Funck Leite e Wander de Almeida Timbó, além do procurador-geral Herbet Gonçalves Santos.
O valor cobre diárias no exterior no patamar de US$ 485 por dia, mais ajuda de custo.
Oficialmente, o MP-CE justificou a viagem como “missão institucional e técnica”, alegando que os membros do Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor observariam protocolos de segurança, gestão de multidões e prevenção de conflitos para a Copa do Mundo Feminina de 2027, que terá Fortaleza como uma das sedes.
No entanto, a justificativa não convenceu parte da opinião pública, que questiona a necessidade de enviar altos membros do órgão a um evento esportivo internacional com verbas públicas.
Especialistas e internautas destacaram que os custos com diárias, embora dentro das normas internas do Ministério Público, representam um uso questionável de recursos oriundos dos contribuintes cearenses.
Passagens aéreas, hospedagem principal e ingressos para os jogos não foram custeados pelo órgão, ficando a cargo dos próprios promotores. Ainda assim, o montante de quase R$ 44 mil apenas em diárias e ajudas de custo provocou indignação.
Em meio à crise fiscal que afeta diversos setores públicos no Ceará, a viagem ocorre em um momento em que o MP-CE deveria priorizar demandas mais urgentes da população, como o combate à violência, a defesa do patrimônio público e o apoio a políticas sociais.
A polêmica reforça o debate recorrente sobre privilégios no serviço público brasileiro e o distanciamento entre instituições e a realidade vivida pela maioria dos cidadãos.
Até o momento, o MP-CE não se manifestou sobre as críticas ao gasto. A transparência da publicação no Diário Oficial permitiu que a informação chegasse ao conhecimento público, mas não amenizou a percepção de que se trata de um benefício desproporcional em tempos de austeridade.
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