Mensagem enviada por Augusto Lima ao líder do governo no Senado é apontada pela Polícia Federal como indício de relação próxima em investigação sobre supostas vantagens ligadas ao caso Banco Master.
Brasília, 18 de junho de 2026 — A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a nona fase da Operação Compliance Zero, com 18 mandados de busca e apreensão cumpridos na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, todos autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. O principal alvo político da ação é o senador Jaques Wagner (PT-BA), figura histórica do Partido dos Trabalhadores e atual líder do governo no Senado, investigado por suposta atuação em favor de interesses do Banco Master em troca de vantagens indevidas.
De acordo com a decisão judicial, a proximidade de Wagner com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master e dono do Banco Pleno, vai além de mera conversa. Mensagens extraídas do celular de Augusto Lima revelam uma relação de confiança elevada. Em 29 de março de 2025, Lima enviou a Wagner a seguinte mensagem: “Você mais do que ninguém sabe de minha história e faz parte disso!!”. Para os investigadores, o recado demonstra que o senador não era um interlocutor passivo, mas alguém diretamente envolvido em tratativas sensíveis relacionadas à venda do banco e a outros negócios do grupo.
A investigação aponta que Wagner teria usado sua influência no Congresso e na Bahia para defender pautas de interesse do grupo econômico, enquanto sua família recebia benefícios. Uma empresa ligada à nora do senador, Bonnie de Bonilha (esposa do enteado Eduardo Sodré), figurou na folha de pagamentos do Banco Master para prospecção de crédito consignado, com repasses que chegaram a R$ 3,5 milhões por meio de estruturas como a BN Financeira e PKL One.
Entre as vantagens indevidas sob apuração estão a negociação de um apartamento de aproximadamente R$ 2,5 milhões em Salvador supostamente destinado a Wagner, o uso de jatinhos do grupo para viagens da família, incluindo ofertas de lazer, e o pagamento de um camarote em show internacional em Los Angeles, avaliado em cerca de R$ 63 mil, por empresa ligada ao Master.
A Compliance Zero apura um amplo esquema de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça ligado ao Banco Master, que já acumula fases anteriores com prisões e delações. A inclusão de um dos principais nomes do PT na mira da operação expõe mais uma vez as conexões problemáticas entre o partido e setores financeiros investigados por irregularidades bilionárias. Wagner ainda não se manifestou publicamente sobre as buscas realizadas hoje.
A ação reforça as críticas recorrentes à atuação de integrantes do PT em esquemas que misturam poder político e interesses privados, especialmente na Bahia, reduto histórico do partido. O caso segue em investigação, mas os elementos colhidos até aqui — mensagens, transferências, planilhas e relatórios de inteligência — pintam um quadro incômodo para o senador e para a legenda que o abriga.
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