PT REJEITOU CPMI, MAS PF AVANÇA E CITA MENSAGEM: “AMANHÃ VENCEM OS BOLETOS” EM REPASSES LIGADOS A SENADOR

REDAÇÃO

Investigação da operação compliance zero aponta cobranças por pagamentos milionários, transferências para empresa ligada à família de Jaques Wagner e suspeitas envolvendo imóvel de luxo em salvador

Brasília, 18 de junho de 2026 – Mesmo com o PT resistindo à criação de uma CPMI para investigar o caso Banco Master, a Polícia Federal não parou e deflagrou nesta quinta-feira uma nova fase da Operação Compliance Zero que atinge em cheio o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. Documentos da PF revelam indícios de vantagens indevidas recebidas pelo parlamentar e por parentes próximos, incluindo cobranças diretas de boletos e repasses milionários.
De acordo com a investigação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, o enteado de Wagner, Eduardo Sodré Martins, cobrou de forma insistente o gestor Augusto Ferreira Lima, ligado ao Banco Master. Em mensagem enviada em 4 de setembro de 2025, Eduardo teria escrito: “Amanhã vence os boletos e são altos”. A cobrança refere-se a pagamentos pendentes para a BN Financeira, empresa associada à nora de Wagner, Bonnie Toaldo Bonilha.
A PF aponta que a PKL One, ligada ao círculo de Augusto Lima, transferiu ao menos R$ 3,5 milhões para a empresa da família do senador. Planilhas apreendidas ainda registram pagamentos ao apelido “Dudu”, identificado como Eduardo Sodré, que superariam R$ 2,3 milhões. As mensagens mostram que os atrasos foram justificados pelo fracasso na venda do Banco Master ao BRB.
Outro ponto constrangedor para Wagner é a investigação sobre um apartamento de luxo no Poème Horto, em Salvador, avaliado em R$ 2,45 milhões. Mensagens trocadas com Augusto Lima indicam que o senador teria encaminhado contatos da construtora e detalhes do imóvel, levantando suspeitas de que o bem funcionou como forma disfarçada de propina. Buscas foram realizadas inclusive na residência do senador na Bahia.
A nova investida da PF ocorre num momento delicado para o PT. O partido tem sido criticado por hesitar ou rejeitar assinaturas em pedidos de CPMI sobre o escândalo do Banco Master, preferindo controlar o ritmo das investigações ou evitar um foro que poderia expor ainda mais seus quadros. Enquanto o governo tenta minimizar o caso, as revelações da Compliance Zero pintam um quadro de possível uso de influência política em troca de benefícios financeiros para o núcleo familiar de um dos principais nomes petistas no Congresso.
Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e afirma estar tranquilo. No entanto, o conjunto de mensagens, transferências e tratativas imobiliárias descritas pela PF aumenta a pressão sobre o senador e sobre o PT, que agora enfrenta novas e incômodas perguntas sobre até onde chegam as relações entre o partido e o mundo financeiro investigado. A operação segue em curso e pode trazer ainda mais desdobramentos nas próximas semanas.
Foto: Agência Senado