“DETERMINO QUE JAQUES WAGNER ESTEJA PROIBIDO DE ATUAR COM EMPRESAS LIGADAS AO MASTER”, DIZ MENDONÇA

REDAÇÃO

Ministro do STF impôs medidas cautelares ao líder do governo no senado e restringiu contatos e atividades relacionadas a empresas citadas na investigação do Banco Master

STF impõe restrições a Jaques Wagner em investigação sobre corrupção e lavagem de dinheiro ligada ao Banco Master
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou uma série de medidas cautelares contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, no âmbito da Operação Compliance Zero. A decisão aperta o cerco sobre o parlamentar, investigado por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa vinculada ao Banco Master.
Segundo a Polícia Federal, Wagner teria recebido vantagens econômicas de forma direta e indireta, por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas ligadas ao grupo investigado. Entre os benefícios apontados pelos investigadores estão a possível aquisição de um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,45 milhões em Salvador e repasses de R$ 3,5 milhões à BN Financeira, empresa associada ao núcleo familiar do senador.
A decisão de Mendonça proíbe Wagner de exercer qualquer atividade de gestão, administração, consultoria, representação ou negociação com pessoas jurídicas vinculadas ao caso — entre elas BN Financeira Ltda., BN Representações Tecnológicas Ltda., Epítome S.A. e PKL One Participações S.A. O senador também está impedido de contatar os demais investigados, com exceção de dois familiares, e mesmo nesses casos fica proibido de discutir os fatos sob apuração.
A investigação aponta ainda que Wagner teria atuado no Senado em temas diretamente ligados aos interesses do Banco Master, como mudanças no limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e a operação de compra do banco pelo Banco de Brasília. Para Mendonça, há elementos suficientes, em análise preliminar, para justificar as restrições e evitar destruição de provas ou alinhamento de versões entre os investigados.
O caso expõe a figura do principal líder governista no Senado como alvo de uma das maiores investigações financeiras da história recente do país — e levanta questões graves sobre a fronteira entre o exercício do mandato e o favorecimento de interesses privados dentro do Congresso.
Foto: STF