MENDONÇA NA MIRA? MJ EXIGE VOLTA DE DELEGADOS EM MEIO A OPERAÇÕES CONTRA GOVERNO

REDAÇÃO

Ministério da justiça solicita retorno de policiais federais cedidos ao judiciário, e medida gera debate sobre impactos em investigações sensíveis

Brasília, O Ministério da Justiça e Segurança Pública enviou ofícios a órgãos do Poder Judiciário solicitando o retorno imediato de delegados e policiais federais cedidos para auxiliar magistrados. A medida, formalizada recentemente, reacende debates sobre o impacto em apurações em curso na Polícia Federal.
De acordo com fontes nos bastidores, a iniciativa pode afetar equipes que prestam apoio ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator de investigações relevantes como a Operação Compliance Zero (caso Banco Master) e a Operação Sem Desconto (desvios no INSS). Essas apurações envolvem figuras próximas ao governo federal.
A ação atende a uma diretriz anunciada pelo presidente Lula em abril, que defendeu o retorno dos delegados “fora da PF” para reforçar o combate ao crime organizado, com exceções limitadas. Os ofícios citam a necessidade de fortalecer as atividades finalísticas da corporação.
O Ministério da Justiça reafirmou o caráter técnico da medida. “O processo de retorno dos policiais federais para reforço e valorização das atividades finalísticas e de combate ao crime organizado teve início no fim de abril e continua em curso”, informou o secretário-executivo Ademar Borges. A Pasta sustenta que foram enviados cerca de 100 pedidos.
No entanto, o timing e o alcance geram desconforto entre alguns investigadores. A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) já havia criticado abordagens semelhantes, argumentando que o número de cedidos é pequeno, menos de 3% do efetivo, e que o principal problema da PF é a falta de estrutura.
Enquanto o governo apresenta a iniciativa como medida administrativa, críticos veem nela um possível movimento para reorganizar equipes envolvidas em casos sensíveis. Até o momento, o Supremo Tribunal Federal ainda não se manifestou sobre ofícios específicos.
A devolução dos delegados deve ser acompanhada com atenção pela sociedade.
Foto: STF