Senador criticou divulgação de imagens da operação, comparou ação à lava jato e afirmou ter cobrado explicações diretamente do presidente Lula
O senador Jaques Wagner (PT-BA) criticou publicamente a atuação da Polícia Federal durante a operação que teve como alvo o apartamento funcional onde estava hospedado em Brasília. Em entrevista concedida à Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (26), o parlamentar afirmou que reclamou diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a divulgação das imagens do dinheiro apreendido, exposto sobre uma cama ao lado do escudo da PF.
Segundo Wagner, a forma como as imagens foram divulgadas representou uma “espetacularização” semelhante ao que, na avaliação dele, ocorreu durante a Operação Lava Jato. O senador questionou a necessidade da exposição pública do material apreendido e afirmou que esse tipo de procedimento prejudica a imagem dos investigados antes da conclusão das apurações.
Durante a entrevista, Jaques Wagner citou uma frase que disse ter dirigido ao presidente: “Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF?”. O senador argumentou que a divulgação contrariou a determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, para que as diligências fossem realizadas de maneira discreta.
O parlamentar também negou qualquer envolvimento comercial irregular com o Banco Master, com o empresário Daniel Vorcaro ou com Augusto Lima. Segundo Wagner, não existe qualquer relação empresarial ou favorecimento envolvendo os investigados, rejeitando as suspeitas levantadas no âmbito da operação.
Apesar da negativa sobre negócios, Wagner reconheceu manter relações pessoais com empresários, incluindo viagens em aeronaves particulares e encontros sociais. Para ele, essas relações não configuram favorecimento nem demonstram a existência de qualquer irregularidade em sua atuação política.
O senador ainda revelou que conversou com o presidente Lula antes de deixar a liderança do governo no Senado, cargo que ocupava até os desdobramentos das investigações. Segundo ele, o diálogo ocorreu para apresentar sua versão dos fatos e reafirmar que não cometeu irregularidades.
A entrevista foi concedida em Salvador, um dia após Jaques Wagner deixar oficialmente a liderança do governo no Senado. As declarações ampliaram a repercussão política da operação e colocaram novamente em debate a forma de atuação das autoridades durante investigações envolvendo figuras públicas, tema que domina o noticiário político desta sexta-feira.
Foto: Agência Brasil