Durante convenção do PDT, presidente evitou mencionar as investigações sobre fraudes no INSS, exaltou a aliança com Carlos Lupi e reforçou apoio à campanha de reeleição.
BRASÍLIA. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da convenção nacional do PDT para formalizar o apoio do partido à sua campanha de reeleição.
O tom festivo do evento e os elogios mútuos, contudo, serviram de cortina de fumaça para uma crise que assombra a Esplanada dos Ministérios: o escândalo dos descontos associativos ilegais na folha de pagamento de aposentados. O caso já provocou o indiciamento de 48 pessoas pela Polícia Federal, incluindo o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanuto.
Durante o seu discurso, Lula evitou qualquer menção ao esquema criminoso que lesou milhões de beneficiários da Previdência Social. Em vez de cobrar explicações ou anunciar medidas de moralização, o petista preferiu exaltar a aliança política e tecer elogios públicos a Carlos Lupi, presidente do PDT e ex-ministro da Previdência.
Lula chegou a criticar o que chamou de “falta de decência na política” por parte de adversários. Ironicamente, ignorou o fato de que a autarquia sob o guarda-chuva de seus aliados se transformou em palco de um dos maiores esquemas de desvio de dinheiro recente do país.
A blindagem política sobre Carlos Lupi, no entanto, contrasta com as provas que emergem das investigações. Documentos oficiais e atas do Conselho Nacional de Previdência Social, CNPS, revelam que Lupi foi formalmente alertado sobre a explosão de fraudes e o enriquecimento súbito de entidades associativas bem antes de deixar o cargo.
Conselheiros cobraram auditorias urgentes e a suspensão dos descontos abusivos, mas as advertências foram negligenciadas. A justificativa foi de que o tema demandava levantamentos mais precisos.
Enquanto o governo federal corre nos bastidores para remanejar recursos e tentar ressarcir o rombo bilionário deixado nas contas dos aposentados, a cúpula do poder em Brasília demonstra que o cálculo eleitoral e a manutenção de palanques para a reeleição pesam mais do que a responsabilização política pelos desvios.
O evento do PDT consolida a aliança governista, mas deixa claro que o Palácio do Planalto prefere o silêncio corporativista a enfrentar os escândalos que corroem a credibilidade da máquina pública.
Foto: PR