PF REVELA QUE JAQUES WAGNER ARTICULOU ENCONTRO RESERVADO ENTRE ALIADO DE VORCARO E JORGE MESSIAS

REDAÇÃO

Relatórios enviados ao STF apontam que o senador participou da organização de uma reunião entre Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, que nega ter participado do encontro.

Relatórios da Polícia Federal enviados ao Supremo Tribunal Federal apontam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) participou de tratativas para organizar um encontro entre Augusto Ferreira Lima, conhecido como “Guga”, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, e uma pessoa identificada nas conversas como “Messias”, que os investigadores associam ao advogado-geral da União, Jorge Messias.
Segundo a investigação, mensagens e áudios obtidos no celular de Augusto Lima mostram conversas sobre a definição do encontro, incluindo horário, local e a forma como ele seria realizado.
Em um dos áudios citados pela Polícia Federal, Jaques Wagner afirma que havia conversado com “Messias” e informa que o horário do almoço seria o mais adequado para a reunião.
Os investigadores também afirmam que Wagner sugeriu que o encontro ocorresse em seu gabinete no Senado, descrevendo o local como “mais protegido e discreto” e mencionando que haveria uma forma de facilitar a entrada dos participantes.
De acordo com a PF, os elementos reunidos indicam uma relação frequente entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, com registros de reuniões, contatos e outras interlocuções analisadas durante a investigação.
O relatório também menciona que, após o período das tratativas, houve troca de contatos por meio do WhatsApp entre pessoas ligadas ao episódio, fato considerado pelos investigadores como um dos elementos do conjunto probatório.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, negou ter participado da reunião. Em nota, declarou que nunca esteve com Augusto Ferreira Lima no gabinete do senador Jaques Wagner e rejeitou qualquer envolvimento com o episódio.
Jaques Wagner também nega qualquer irregularidade e afirma que sua atuação sempre ocorreu dentro da legalidade. Até o momento, não há decisão judicial que atribua responsabilidade ao senador pelos fatos investigados.
As informações fazem parte da Operação Compliance Zero, que apura supostas relações entre integrantes do ecossistema do Banco Master e agentes públicos, além de possíveis benefícios, articulações e interesses relacionados ao banco.
A investigação continua sob análise do Supremo Tribunal Federal, e os relatórios da Polícia Federal servem como base para o aprofundamento das apurações. Até o momento, as conclusões apresentadas representam a versão dos investigadores, enquanto os envolvidos negam irregularidades e terão oportunidade de exercer ampla defesa durante o andamento do processo.
Fotos: O Globo / Reprodução