Investigação da Operação Sem Desconto indica que estabelecimentos teriam movimentado recursos sob apuração para ocultar valores relacionados a descontos indevidos em benefícios do INSS; citados negam irregularidades.
A Polícia Federal apontou que dois postos de combustíveis teriam sido utilizados como peças centrais de uma estrutura milionária de ocultação e lavagem de dinheiro ligada às fraudes em descontos associativos aplicados indevidamente sobre aposentadorias e pensões do INSS. As informações integram as investigações da Operação Sem Desconto.
Os detalhes constam na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou uma nova fase ostensiva da operação nesta terça-feira, 4 de agosto de 2026. Ao todo, foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão para aprofundar a apuração sobre a movimentação e o destino dos recursos.
Os estabelecimentos citados pela investigação são o Petro São Francisco e o Petro São José. Segundo a PF, as contas bancárias dos postos teriam recebido e movimentado quantias milionárias, mesmo quando as empresas enfrentavam uma situação financeira considerada crítica.
O dinheiro que passava pelas contas dos estabelecimentos teria sido utilizado para a compra de propriedades rurais, terrenos, máquinas e equipamentos agrícolas. Parte dos valores também teria sido transferida para empresas e pessoas relacionadas aos núcleos investigados.
O senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão e vice-líder do governo no Senado, aparece nos documentos da investigação como um dos principais personagens da estrutura financeira analisada. A PF apura se ele atuou como articulador e beneficiário econômico das operações realizadas pelo grupo.
A filha do parlamentar, Anna Catarina Viana Rocha, é apontada como responsável pela administração operacional e financeira dos postos. De acordo com os investigadores, ela acompanhava saldos, organizava pagamentos e providenciava contratos de empréstimo que teriam sido utilizados para justificar contabilmente determinadas transferências.
A esposa do senador, Samya Rocha, também é mencionada no relatório policial. Segundo a apuração, mais de R$ 11 milhões teriam passado por sua conta pessoal, movimentação que agora será analisada detalhadamente pelos investigadores.
Outro nome central na investigação é o advogado e empresário Willer Tomaz. A Polícia Federal o descreveu como um importante elo financeiro, patrimonial e logístico da rede investigada, responsável por conectar empresas, bens e operações relacionadas ao senador.
Empresas ligadas ao advogado teriam participado de transações consideradas suspeitas, incluindo a aquisição de uma mansão avaliada em aproximadamente R$ 6 milhões, localizada em Brasília e utilizada por Weverton Rocha. Willer Tomaz esteve entre os principais alvos dos mandados cumpridos nesta fase da operação.
Em nota, Weverton Rocha afirmou que recebeu a operação com tranquilidade e declarou que suas movimentações financeiras são provenientes de atividades profissionais devidamente declaradas. A defesa de Willer Tomaz também negou qualquer participação no esquema de fraudes do INSS e sustentou que as buscas ocorreram por causa do empréstimo de uma aeronave particular ao senador.
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