Departamento de Estado afirma que deu ao Brasil “todas as oportunidades para fazer a coisa certa”, defende a reciprocidade diplomática e mantém pressão para que o governo Lula conceda o agrément ao embaixador indicado pelos Estados Unidos.
A crise diplomática entre Estados Unidos e Brasil ganhou um novo capítulo após o governo do presidente Donald Trump reafirmar que a política de reciprocidade continuará orientando as decisões da administração americana. Segundo um porta-voz do Departamento de Estado, Washington considera que ofereceu ao governo brasileiro diversas oportunidades para resolver o impasse antes da adoção das medidas recentes.
De acordo com o Departamento de Estado, representantes americanos mantiveram diálogo com autoridades brasileiras durante semanas. O governo dos EUA afirma que buscou uma solução negociada e deu ao Brasil “todas as oportunidades para fazer a coisa certa” antes de decidir pela revogação do visto da embaixadora brasileira.
O porta-voz também esclareceu que a decisão não equivale à declaração de persona non grata, mecanismo diplomático mais severo previsto nas relações entre países. Ainda assim, ressaltou que outras opções diplomáticas permanecem disponíveis caso o impasse não seja solucionado.
A administração Trump classificou a decisão como uma medida de reciprocidade. Segundo a explicação oficial, a lógica adotada é de que ambos os países devem oferecer tratamento equivalente aos representantes diplomáticos um do outro.
Na prática, a posição do governo americano pode ser resumida na mensagem de que, se os representantes diplomáticos dos Estados Unidos não forem impedidos de exercer suas funções, Washington também não adotará medidas restritivas contra representantes brasileiros.
O Departamento de Estado afirmou ainda que, caso a embaixadora brasileira deixe os Estados Unidos, ela precisará solicitar um novo visto para retornar ao país, procedimento considerado compatível com a natureza recíproca da decisão anunciada.
Além disso, o governo Trump voltou a defender que cabe exclusivamente ao presidente dos Estados Unidos indicar quem representará os interesses americanos no exterior, desde que haja aprovação do Senado, rejeitando qualquer tentativa de interferência estrangeira nesse processo.
A administração americana também reiterou que continua comprometida com a política “America First”, afirmando que está formando uma equipe diplomática alinhada às prioridades do governo e que espera tratamento equivalente por parte de outros países.
Embora Washington tenha deixado claro que prefere uma solução diplomática, o Departamento de Estado informou que novas medidas continuam sobre a mesa caso o governo brasileiro continue adiando ou recusando o agrément necessário para o embaixador indicado pelos Estados Unidos.
Com isso, a mensagem transmitida pelo governo Trump é de que a relação diplomática deve ser baseada na reciprocidade. Na avaliação da administração americana, o princípio é simples: se os representantes dos Estados Unidos não forem barrados, o governo americano também não adotará restrições equivalentes contra os representantes brasileiros.
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