PF DIZ QUE JORNALISTA ALVO DE MORAES CAUSOU “PERTURBAÇÃO DO EQUILÍBRIO PSICOLÓGICO” DE DINO

REDAÇÃO

Relatório enviado ao STF aponta que Luís Pablo teria provocado sofrimento emocional, medo constante e sensação de vigilância permanente em Flávio Dino; jornalista nega perseguição e afirma que atuava em apuração de interesse público.

A Polícia Federal afirmou, em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que a atuação do jornalista maranhense Luís Pablo teria provocado uma “perturbação do equilíbrio psicológico” do ministro Flávio Dino. O jornalista é investigado sob suspeita de perseguição, crime conhecido como stalking.
Segundo a PF, as condutas investigadas teriam provocado em Dino “sofrimento emocional, medo constante, sensação de vigilância permanente” e abalo de sua tranquilidade. A corporação considera esses elementos relevantes para analisar a possível configuração do crime de perseguição.
O inquérito envolvendo Luís Pablo tramita sob a condução do ministro Alexandre de Moraes. A investigação apura se a obtenção e divulgação recorrente de informações sobre a rotina de Dino ultrapassaram os limites legítimos da atividade jornalística.
Entre os elementos analisados estão fotografias feitas à distância e informações relacionadas ao veículo oficial utilizado pelo ministro e à sua rotina. Para os investigadores, a frequência e as circunstâncias desse acompanhamento teriam provocado uma sensação permanente de monitoramento.
A PF sustenta que a caracterização do crime de perseguição não depende necessariamente da ocorrência de agressão ou dano físico. A investigação considera também eventuais impactos sobre a liberdade, a privacidade e a tranquilidade da pessoa que afirma estar sendo perseguida.
Luís Pablo foi alvo de uma operação de busca e apreensão em março de 2026, quando aparelhos eletrônicos foram recolhidos. A análise do material obtido passou a integrar as apurações conduzidas pela Polícia Federal.
Posteriormente, mensagens encontradas nos aparelhos contribuíram para que os investigadores identificassem o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim como uma possível fonte de informações repassadas ao jornalista. Cutrim acabou sendo alvo de uma nova operação em agosto.
O caso também abriu uma discussão sobre liberdade de imprensa e proteção ao sigilo da fonte. Luís Pablo nega ter realizado qualquer perseguição clandestina e argumenta que investigava fatos que considerava de interesse público relacionados ao uso de um veículo oficial.
O jornalista afirma ainda que as medidas tomadas contra ele podem estabelecer um precedente prejudicial ao trabalho da imprensa. Já a assessoria de Flávio Dino sustenta que as ações investigadas não constituíam atividade jornalística regular, mas um monitoramento que teria colocado em risco a segurança do ministro e de seus familiares.
Assim, o caso coloca em confronto questões importantes como liberdade de imprensa, sigilo da fonte, privacidade e segurança. Enquanto a PF aponta elementos que, em sua avaliação, indicam perseguição e abalo psicológico de Flávio Dino, o jornalista rejeita essa interpretação e sustenta que exercia atividade jornalística de interesse público.
Foto: STF