MPF acusa candidato e MBL de discurso preconceituoso contra indígenas do Baixo Tapajós.
SANTARÉM (PA) – O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública na Justiça Federal do Pará contra o candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) e o Movimento Brasil Livre (MBL), acusando-os de veicular discurso de ódio e preconceito contra cerca de 22 mil indígenas do Baixo Tapajós. O órgão pede uma indenização solidária de R$ 500 mil por danos morais coletivos, além da remoção imediata dos conteúdos das redes sociais e a publicação de retratações formais por parte dos envolvidos.
A investigação do MPF baseou-se em uma série de vídeos publicados entre fevereiro e junho de 2026, nos quais o presidenciável atacou manifestações de 14 etnias locais que protestavam no terminal portuário da Cargill, em Santarém. Segundo a procuradoria, as declarações de Renan Santos extrapolaram o limite do debate político e da liberdade de expressão ao utilizar termos pejorativos e generalizações preconceituosas, classificando as comunidades tradicionais com termos como “vagabundos”, “picaretas” e “malandros”, além de acusá-las de “viverem de mamata”.
Para os procuradores e lideranças indígenas da região, a postura do candidato reforça estereótipos discriminatórios e incita a hostilidade pública contra minorias vulneráveis para angariar dividendos políticos. Em sua defesa, Renan Santos tentou mitigar o impacto das acusações afirmando que as críticas eram direcionadas apenas a “supostos indígenas criminosos” que bloqueavam o escoamento de grãos, mas analistas jurídicos apontam que a generalização das ofensas gravadas atinge frontalmente a dignidade das populações originárias e viola os direitos humanos fundamentais protegidos pela legislação nacional.
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