Incidente envolvendo o helicóptero presidencial de Donald Trump e um Embraer E170 nos Estados Unidos levou o Brasil a participar da investigação conduzida pelas autoridades americanas e reacendeu o debate sobre segurança aérea e a reputação da indústria aeronáutica nacional.
O governo dos Estados Unidos acionou oficialmente o Brasil para integrar as investigações de um grave incidente de segurança aérea que envolveu o helicóptero presidencial americano, Marine One, responsável pelo transporte do presidente Donald Trump. O episódio ocorreu em Washington, nas proximidades do Aeroporto Ronald Reagan, após uma perda momentânea de separação regulamentar e risco de colisão entre a aeronave oficial e um jato comercial de passageiros modelo Embraer E170, de fabricação brasileira e operado pela companhia regional Envoy Air.
Seguindo os rígidos protocolos da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), o país de origem do projeto e da fabricação de uma aeronave envolvida em ocorrências de risco deve cooperar de forma mandatória com as autoridades locais. Diante disso, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão subordinado à Força Aérea Brasileira (FAB), foi compelido a designar um investigador militar para acompanhar os trabalhos liderados pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos EUA (NTSB).
O envolvimento compulsório do Brasil no caso ocorre em um momento politicamente inconveniente e impõe um indesejado desgaste reputacional à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A necessidade de deslocar peritos da FAB para responder por um evento que colocou em risco a vida do mandatário norte-americano tensiona a diplomacia e joga os holofotes internacionais sobre a engenharia nacional de defesa e aviação, gerando uma agenda puramente defensiva para o Palácio do Planalto perante a Casa Branca.
De acordo com os relatórios preliminares divulgados pelo NTSB, a quase colisão foi agravada por uma severa falha nos sistemas de comunicação por rádio da torre de controle local. Os controladores de tráfego aéreo de Washington não receberam os alertas eletrônicos de decolagem do helicóptero presidencial e, por conta desse blefe de sinal, autorizaram simultaneamente a decolagem do jato da Embraer, fazendo com que as duas aeronaves ficassem a uma distância crítica estimada entre 1,5 e 3 quilômetros uma da outra.
Embora o incidente tenha terminado sem feridos e ambos os voos tenham conseguido pousar em total segurança, a abertura do inquérito internacional serve de munição para críticos do governo e da oposição brasileira. Parlamentares de ala conservadora utilizam o episódio para apontar a vulnerabilidade institucional na fiscalização de contratos de alta tecnologia aeronáutica, cobrando do Executivo um posicionamento firme que proteja a credibilidade de mercado da Embraer em solo estrangeiro.
Nos bastidores de Brasília, o Palácio do Planalto tenta tratar o caso estritamente sob o viés técnico e operacional, na expectativa de esvaziar qualquer politização ou ruído diplomático nas relações bilaterais com Washington. Contudo, o monitoramento estrangeiro contínuo sobre a cadeia de sinalização e engenharia ligada à aeronave brasileira mantém o governo federal em uma posição vulnerável, forçando a administração petista a monitorar de perto os desdobramentos de uma investigação de segurança máxima nos Estados Unidos.
Foto: Reuters