Jylman Red Jurado Farfán foi libertado após mais de cinco anos detido sob acusações de terrorismo, conspiração e associação criminosa; religioso relatou agressões e tortura durante o período de cárcere
O bispo anglicano independente Jylman Red Jurado Farfán foi libertado do complexo penitenciário de Rodeo III, na Venezuela, após permanecer mais de cinco anos detido sob acusações de associação criminosa, conspiração e terrorismo. A libertação ocorreu durante uma operação que resultou na soltura de dezenas de presos políticos, segundo informações divulgadas pela Christian Solidarity Worldwide (CSW). A organização acompanha o caso e classificou a situação enfrentada pelo religioso como parte de um cenário de perseguição e violações de direitos humanos no país.
Farfán atua na Arquidiocese da Venezuela do Espírito Santo, instituição ligada à Igreja Anglicana Latino-Americana independente, com sede em Caracas. A libertação do clérigo foi confirmada por Jesus Marcano, coordenador do Foro Penal, entidade que monitora casos de presos políticos venezuelanos. Embora as autoridades tenham anunciado a libertação de 131 pessoas sem divulgar inicialmente a lista completa dos beneficiados, organizações civis passaram a realizar verificações junto a familiares para confirmar as identidades dos presos colocados em liberdade.
Após deixar a prisão, Farfán agradeceu pelo apoio recebido durante os cinco anos e quinze dias de confinamento e atribuiu sua libertação à fé. O religioso afirmou que Deus teria quebrado as correntes de opressão, medo e tortura. O caso ganhou repercussão especialmente pelos relatos feitos pelo bispo sobre as condições enfrentadas durante o período em que permaneceu sob custódia das autoridades venezuelanas.
Segundo os relatos atribuídos ao religioso, ele teria sido submetido a agressões físicas graves, incluindo violência com eletricidade e mutilações. Farfán afirmou que teve as unhas dos pés arrancadas e relatou ter sofrido uma queimadura no peito provocada por descarga elétrica. Paralelamente aos episódios de violência, seu estado de saúde teria se deteriorado significativamente durante o cárcere. Em junho de 2026, foram registrados diagnósticos de pneumonia atípica, hemorragias no sistema digestivo e neurite intercostal.
O processo contra o bispo começou em 30 de julho de 2021, após uma convocação que, segundo as informações divulgadas sobre o caso, teria ocorrido com base em falsos pretextos. Ele foi posteriormente acusado de crimes relacionados a terrorismo e associação criminosa, enquanto suas atividades religiosas eram apontadas pelas autoridades como uma possível ameaça à estabilidade do país. Os autos permaneceram sob sigilo durante aproximadamente dez meses, e o julgamento acabou suspenso depois de quase dois anos de audiências, diante da ausência de evidências substanciais apresentadas pela acusação, conforme os relatos divulgados pela CSW.
A diretora de advocacia da Christian Solidarity Worldwide, Anna Lee Stangl, condenou a prisão e os relatos de tortura sofridos pelo religioso, além de criticar o atendimento médico recebido durante o período de detenção. O caso de Farfán ocorre em meio a um histórico de denúncias de perseguição política e religiosa na Venezuela. Segundo organizações que acompanham a situação, comunidades cristãs e missionários também enfrentaram diferentes formas de restrição nos últimos anos. A libertação do bispo, portanto, voltou a chamar atenção internacional para as condições enfrentadas por presos políticos e para as denúncias de violações de direitos humanos no país.
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