ESCRITÓRIO DE VIVIANE MORAES VEM A PÚBLICO E CONFIRMA QUE MINISTRO ACESSOU CONTRATO DE R$ 131 MILHÕES

REDAÇÃO

Escritório de Viviane Barci de Moraes confirma que Alexandre de Moraes acessou e visualizou o contrato com o Banco Master e afirma que consulta ocorreu para verificar regras de compliance e possíveis conflitos de interesse

BRASÍLIA — O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um dos capítulos mais desgastantes de sua história recente após a queda do sigilo das investigações do “Caso Master”. O levantamento do segredo de Justiça expôs o contrato milionário de R$ 131,2 milhões firmado entre o Banco Master, controlado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
A revelação detalhada dos repasses e o envolvimento digital do próprio magistrado no documento aumentaram a pressão política sobre a corte e reacenderam velhas rivalidades de bastidores.
Os documentos oficiais mostram que o acordo estipulava pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos. Desse total, o escritório da esposa do ministro já havia embolsado R$ 80,2 milhões antes de os repasses serem interrompidos pela liquidação extrajudicial da instituição financeira.
💻 PF aponta que ministro editou o documento na madrugada
O ponto central e mais sensível do relatório da Polícia Federal (PF) envolve a perícia técnica nos metadados dos arquivos digitais. De acordo com os investigadores, o usuário do ministro Alexandre de Moraes no sistema Office 365 foi utilizado para acessar e editar o arquivo do contrato na madrugada de 15 de janeiro de 2024.
A interferência direta do magistrado em um documento comercial de sua esposa com um banco sob investigação policial gerou desconforto em setores técnicos da PF e do Ministério Público. Críticos apontam que o episódio arranha a imagem de isenção que se espera de um membro do tribunal máximo do país, alimentando discursos sobre a promiscuidade entre grandes bancas de advocacia de familiares e decisões que tramitam na corte.
🗣️ Defesa alega checagem de regras de compliance
Em nota oficial, o escritório Barci de Moraes confirmou que Alexandre de Moraes visualizou o documento, mas justificou o acesso como um procedimento padrão de segurança jurídica. Segundo a defesa, o ministro foi consultado exclusivamente para avaliar regras de compliance e certificar-se de que a contratação não geraria nenhum tipo de conflito de interesses.
A banca reforçou que o contrato é estritamente regular e que o ministro jamais relatou ou julgou processos de interesse do Banco Master.
Foto: STF