FESTEJADA PELA ESQUERDA, REDUÇÃO DA SELIC PARA 13,75% MANTÉM BRASIL NO TOPO DOS JUROS REAIS DO MUNDO

REDAÇÃO

Quinto corte consecutivo reduz a taxa básica para 13,75% ao ano, mas juros reais de 8,45% ainda deixam o Brasil entre os maiores do cenário internacional e mantêm o crédito sob pressão

A recente redução da taxa Selic para 13,75% ao ano foi recebida com comemorações por integrantes do governo e setores da esquerda, mas o cenário dos juros ainda impõe desafios relevantes à economia brasileira. Mesmo após o quinto corte consecutivo promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), o Brasil permanece entre os países com os maiores juros reais do mundo.
Segundo dados consolidados por consultorias financeiras, a taxa real brasileira chegou a 8,45% ao ano, considerando a diferença entre a taxa nominal de juros e a inflação projetada. O percentual mantém o país na liderança do ranking internacional e supera com margem economias como Rússia, com 6,79%, Colômbia, com 6,33%, e Turquia, com 6,25%.
A redução da Selic representa uma mudança na trajetória da política monetária, mas o patamar dos juros ainda é considerado elevado. Para consumidores e empresas, a queda da taxa básica não significa necessariamente uma redução proporcional nas taxas cobradas em empréstimos, financiamentos e outras modalidades de crédito.
O cenário também coloca pressão sobre o governo e sobre o Banco Central, atualmente presidido por Gabriel Galípolo. A expectativa de parte do mercado é que novos cortes possam ocorrer caso os indicadores de inflação e as condições econômicas permitam, mas o ritmo da flexibilização dependerá da avaliação do Copom.
Críticos da política econômica argumentam que a situação fiscal continua sendo um dos principais fatores de preocupação. O aumento das despesas públicas e as incertezas relacionadas ao cumprimento das metas fiscais podem elevar a percepção de risco sobre o país e dificultar uma redução mais rápida dos juros.
Na avaliação desses críticos, a manutenção de juros reais elevados também demonstra que a economia brasileira ainda enfrenta obstáculos para alcançar um ambiente de crédito mais barato. Quanto maior o custo do dinheiro, maior tende a ser a dificuldade de famílias e empresas para assumir novos financiamentos e ampliar investimentos.
Por outro lado, integrantes do governo e seus apoiadores destacam a sequência de cortes como sinal de mudança na condução da política monetária. A redução da Selic é apresentada como um movimento capaz de, gradualmente, melhorar as condições financeiras e estimular a atividade econômica.
O debate, entretanto, permanece concentrado na velocidade com que os juros poderão continuar caindo. Para que haja espaço para cortes adicionais, o Banco Central precisa considerar fatores como inflação, expectativas do mercado, atividade econômica, câmbio e trajetória das contas públicas.
Apesar da queda acumulada nas últimas decisões do Copom, a taxa real de 8,45% mantém o Brasil em uma posição de destaque negativo no cenário internacional. O dado reforça a dimensão do desafio para transformar a redução da Selic em crédito efetivamente mais acessível para consumidores e empresas.
Assim, a comemoração em torno da nova redução precisa ser analisada em conjunto com o cenário mais amplo da economia. A queda da Selic representa uma mudança importante, mas o nível ainda elevado dos juros reais e as incertezas fiscais indicam que a trajetória até um crédito mais barato continuará dependendo da evolução da inflação, das contas públicas e da confiança dos agentes econômicos.
Foto: Divulgação
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