Paulo Gonet é criticado por parlamentares após foto ao lado de Daniel Vorcaro em Londres, localizada pela Polícia Federal, contrariar declaração do procurador-geral sobre não manter relação de proximidade com o banqueiro
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enfrenta uma avalanche de críticas após a divulgação da foto em que aparece fumando charuto ao lado de Daniel Vorcaro, em Londres. A imagem, extraída pela Polícia Federal do celular do banqueiro, desmonta a versão apresentada pelo próprio PGR em sessão do Supremo Tribunal Federal, na qual afirmou não ter “relacionamento de proximidade” com o dono do Banco Master e classificou o encontro como “banal”. A contradição entre o discurso formal e a realidade capturada pela câmera transformou Gonet no centro de um escândalo que questiona a lisura de quem ocupa o cargo máximo do Ministério Público.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) foi um dos primeiros a reagir com dureza. Em vídeo publicado nas redes sociais, não hesitou em chamar Gonet de “sonso” e “mentiroso”. “Quer dizer que aquele cara de sonso, fala mansa, do Gonet, que falou na sessão do STF, tudo polidinho, que não tinha proximidade com o Vorcaro, foi pego fumando charuto com ele. É isso mesmo, meus senhores! É isso que a gente está vendo nas mais altas instâncias da instituição do nosso país. (…) A PGR mentiu na sessão do STF, dizendo que não tinha proximidade com o Vorcaro. Não? Quem fuma charuto um com o outro é o quê, então?”, questionou o parlamentar, expondo o abismo entre a narrativa oficial e os fatos.
As críticas não pararam por aí. O senador Jorge Seif (PL) elevou o tom e protocolou pedido de impeachment contra o procurador-geral. “Não tem a menor condição de seguir à frente da PGR. Se tivesse vergonha na cara, renunciaria. Mas o que esperar dessa gente? Caras de pau!”, escreveu o senador, sintetizando o sentimento de indignação que tomou conta das redes. A acusação de “cara de pau” ecoa a percepção de que Gonet tentou enganar o país ao negar uma proximidade que a foto e as mensagens interceptadas tornaram impossível de esconder.
Flávio Bolsonaro também aproveitou o episódio para denunciar o contraste entre o luxo dos poderosos e a realidade da população. “Enquanto Lula tira a esperança e a comida da mesa de milhões de brasileiros, seus coautores estão em Londres tomando uísque Macallan, fumando charuto caro e rindo da cara do povo sofrido”, afirmou o senador. A fala reforça a ideia de que o caso não se resume a uma foto inconveniente, mas revela um padrão de distanciamento das elites em relação aos problemas reais do país.
Romeu Zema completou o cerco ao apontar o que considera uma motivação política por trás da postura de Gonet. Ao comentar um vídeo em que o PGR fala no STF, o ex-governador de Minas Gerais afirmou que a imagem “explica o motivo de ele ter ido ao STF defender seus amiguinhos”. A declaração sugere que a defesa institucional apresentada por Gonet pode estar contaminada por interesses pessoais, minando ainda mais a confiança na imparcialidade do cargo.
Enquanto as acusações se acumulam, Gonet mantém silêncio oficial. A PGR limitou-se a confirmar a autenticidade da foto, sem oferecer qualquer esclarecimento adicional. As mensagens reveladas nas quais o próprio procurador demonstra interesse em “charuto e Macallan” e chega a falar em “saudades” de Vorcaro continuam a corroer a versão de distanciamento que tentou vender ao Supremo e ao país. O episódio se consolida como mais um capítulo na sucessão de escândalos que expõem a fragilidade das instituições quando confrontadas com evidências de proximidade indevida entre o poder e interesses privados.
Texto: @fabiianobraga
Foto: STF