NIKOLAS FERREIRA ACIONA FACHIN E PEDE AFASTAMENTO DE PAULO GONET DA PGR APÓS FOTO COM DANIEL VORCARO

REDAÇÃO

Deputado solicita ao presidente do STF que analise o afastamento cautelar do procurador-geral da República, citando fotografia ao lado de Daniel Vorcaro, mensagens e outros elementos mencionados em investigação sob relatoria de André Mendonça

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) encaminhou, neste sábado (19), uma representação ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, solicitando providências para que seja analisado o afastamento cautelar de Paulo Gonet Branco do cargo de procurador-geral da República. O documento, datado de 19 de setembro de 2026, sustenta que fatos recentemente divulgados e elementos de investigações sob supervisão do STF justificariam a análise da medida pela Corte. Oficio – Representacao ao Presidente do STF (v5).pdf
A iniciativa ocorre após a divulgação de uma fotografia em que Gonet aparece ao lado do banqueiro Daniel Vorcaro, em Londres. Segundo a representação, a imagem foi encontrada entre mensagens extraídas do celular de Vorcaro e mostra o procurador-geral com um charuto, em uma mesa com bebidas. O documento afirma que a fotografia teria sido encaminhada ao banqueiro pelo advogado Ciro Soares, em junho de 2025, acompanhada da mensagem “PG me mandou”.
O ofício contrapõe a fotografia a uma declaração atribuída a Gonet durante manifestação no Plenário do STF, em 15 de setembro de 2026. Na ocasião, conforme reproduzido no documento, o procurador-geral afirmou que não teve “relacionamento de proximidade” com Vorcaro, mencionando um encontro com várias autoridades em abril de 2024 e uma ligação intermediada por advogado, classificada por ele como “brevíssima e banal”. A representação de Nikolas argumenta que os elementos posteriormente divulgados colocariam essa versão em questionamento. Oficio – Representacao ao Presidente do STF (v5).pdf
Além da fotografia, o deputado cita informações atribuídas à Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. De acordo com a representação, a investigação apura supostas fraudes da ordem de R$ 12 bilhões envolvendo cessões de carteiras de crédito entre o Banco Master e o Banco de Brasília. O documento menciona a Informação de Polícia Judiciária de Análise nº 3298613/2026, inserida nos autos da Petição nº 15.556, sob relatoria do ministro André Mendonça. Oficio – Representacao ao Presidente do STF (v5).pdf
Entre os elementos citados está um episódio de 15 de março de 2025. Segundo o documento, Ciro Soares teria enviado a Vorcaro uma fotografia em que aparece ao lado de Paulo Gonet, seguida das mensagens “Liga aqui” e “Ele quer falar com você”. A representação registra ainda quatro chamadas de voz realizadas posteriormente entre Vorcaro e Ciro, com durações que variaram de 17 segundos a 3 minutos e 49 segundos. Oficio – Representacao ao Presidente do STF (v5).pdf
O ofício também menciona mensagens relacionadas a uma viagem para Londres. Segundo a representação, conversas de março e abril de 2025 tratariam da possibilidade de Pedro Gonet, filho do procurador-geral, integrar uma viagem com despesas custeadas. Em uma das mensagens reproduzidas no material, uma funcionária de Vorcaro pergunta sobre pessoas que estariam autorizadas a viajar “com despesas pagas por nós”, e a resposta atribuída ao banqueiro inclui “Pedro e ciro ok”. O próprio documento registra que, segundo informações da imprensa, o evento previsto para 2025 acabou sendo cancelado. Oficio – Representacao ao Presidente do STF (v5).pdf
Outro ponto apresentado pela representação é uma anotação atribuída a Vorcaro, datada de 30 de outubro de 2025, na qual aparecem referências aos nomes “Andrei” e “Paulo”. O ofício afirma que a Polícia Federal associa esses nomes, respectivamente, ao diretor-geral da PF, Andrei Passos, e ao procurador-geral Paulo Gonet. A representação apresenta sua interpretação de que a anotação indicaria expectativa do banqueiro em relação às chefias dos órgãos responsáveis pelas investigações. Oficio – Representacao ao Presidente do STF (v5).pdf
Nikolas também cita reportagens segundo as quais Gonet e integrantes de sua família apareceriam mencionados ao menos 33 vezes no material da investigação. O documento afirma ainda que, em 1º de setembro de 2026, o procurador-geral pediu a nulidade das apurações, argumentando que o ministro André Mendonça não teria autorização do Plenário para conduzir investigação envolvendo outro integrante do STF. A representação sustenta que essa circunstância deveria levar ao exame de eventual impedimento ou suspeição de Gonet.
Na fundamentação jurídica, o deputado cita dispositivos da Constituição Federal, do Regimento Interno do STF e do Código de Processo Penal. Entre eles está o artigo 319, inciso VI, do CPP, que prevê, entre as medidas cautelares diversas da prisão, a suspensão do exercício de função pública quando houver justo receio de sua utilização para a prática de infrações penais. A representação também menciona deveres funcionais previstos na Lei Complementar nº 75/1993 e os princípios da moralidade e da impessoalidade previstos no artigo 37 da Constituição.
Ao final, Nikolas solicita que Fachin receba e processe a representação e encaminhe a matéria ao órgão competente do STF para que seja apreciado o afastamento cautelar imediato de Paulo Gonet da Procuradoria-Geral da República. O parlamentar pede ainda que a questão seja submetida ao Plenário do Supremo e que cópias da representação e dos elementos que a acompanham sejam encaminhadas ao relator da Petição nº 15.556, ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e ao Senado Federal. A apresentação da representação não significa que Gonet tenha sido afastado: o documento solicita que o STF examine e delibere sobre a medida pretendida pelo deputado.
Foto: Divulgação/ STF