Hospcom recebeu R$ 107 milhões do governo federal nos primeiros oito meses de 2026, ante R$ 8 milhões em 2025, em período marcado por agendas de ministros do governo Lula com executivos da fabricante chinesa Mindray
A distribuidora Hospcom, representante oficial da gigante chinesa Mindray, faturou R$ 107 milhões do governo federal apenas nos primeiros oito meses de 2026. O valor representa um salto de 13 vezes em relação aos R$ 8 milhões registrados em todo o ano de 2025, consolidando um crescimento explosivo nos repasses públicos destinados à empresa.
O aumento coincide com agendas oficiais de ministros do PT na China. Em abril de 2025, Rui Costa, então ministro da Casa Civil, reuniu-se com executivos da Mindray em Xangai. Meses depois, o Ministério da Saúde promoveu pregão do PAC Saúde para a aquisição de 978 aparelhos hospitalares.
Em março de 2026, Alexandre Padilha, ministro da Saúde, visitou a sede da fabricante em Shenzhen. Antes da viagem do titular da pasta, a Hospcom havia recebido apenas R$ 354 mil. Logo em seguida, R$ 13 milhões entraram em abril e outros R$ 12 milhões em maio, acelerando de forma abrupta o volume de contratos.
O avanço da representante da marca asiática não se restringiu aos números. A Hospcom superou multinacionais tradicionais como Philips, Siemens e GE Healthcare no fornecimento de equipamentos para o SUS e hospitais militares, assumindo posição de destaque no mercado de compras públicas de saúde.
Em declarações oficiais, Padilha destacou a “elevada importância” da cooperação com a Mindray. O Ministério da Saúde, por sua vez, classificou como descabida qualquer relação entre as viagens ministeriais e o disparo nos gastos com a empresa.
Ainda assim, a sequência temporal reuniões no exterior, pregões estratégicos e um aumento abrupto de contratos convida a uma análise mais cautelosa sobre os critérios que orientam as decisões de compra no setor de saúde pública.
Texto: @fabiianobraga
Foto: Ricardo Stuckert/PR