TUDO EM CASA? IRMÃO DE FLÁVIO DINO ASSUME CONSELHO DO MPF PARA JULGAR SUSPEIÇÃO DE GONET NO CASO MASTER

REDAÇÃO

Nicolao Dino preside sessão extraordinária do Conselho Superior do MPF que analisará notícia de fato envolvendo Paulo Gonet e sua atuação no caso Banco Master

BRASÍLIA – O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) marcou para esta sexta-feira uma sessão extraordinária que colocará sob julgamento o comando da Procuradoria-Geral da República (PGR). Diante do impedimento legal do procurador-geral Paulo Gonet, que é o alvo direto da análise de suspeição e conduta institucional, a sessão que decidirá o futuro das apurações do Caso Master será presidida interinamente pelo subprocurador-geral Nicolao Dino, irmão mais velho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino.
O desdobramento ocorre em meio ao forte desgaste na cúpula do Judiciário e do Ministério Público após relatórios da Polícia Federal (PF) arrastarem nomes de alta patente da República para o centro de suspeitas de favorecimento empresarial.
A condução dos trabalhos por Nicolao Dino joga luz sobre o intrincado xadrez político e jurídico que paralisa Brasília na reta final do ano eleitoral. O colegiado de dez subprocuradores avaliará uma notícia de fato, provocada por congressistas de oposição, que ganhou contornos críticos após o vazamento de registros periciados pela PF no celular do empresário Daniel Vorcaro e de uma foto recente mostrando Gonet ao lado do banqueiro em um evento privado em Londres.
Setores jurídicos e políticos de centro e direita apontam que o julgamento, embora siga ritos regimentais previstos, introduz uma indesejada pressão institucional sobre a chefia do órgão máximo de acusação do país, expondo as fissuras internas no Ministério Público Federal.
OS PONTOS CRÍTICOS DO JULGAMENTO NO CONSELHO
– O Comando Provisório: O fato de o irmão de um ministro do STF — e aliado histórico do governo — comandar a sessão que avalia o procurador-geral da República eleva a fervura política e as desconfianças de bastidores sobre alinhamentos de poder na Esplanada.
– Risco de Afastamento: Caso o Conselho Superior vote majoritariamente pela suspeição de Paulo Gonet, o chefe do Ministério Público será formalmente retirado de todas as investigações do Caso Master e do Banco Master, gerando um vácuo de poder na condução dos inquéritos criminais.
– A Sombra de Londres: As alegações formais de que as mensagens de WhatsApp configuravam apenas jactância e “venda de fumaça” foram enfraquecidas pela divulgação de imagens de convivência privada no exterior, forçando o colegiado a abrir um processo formal de escrutínio.
O OUTRO LADO
Apesar do tom de crise que cerca a reunião extraordinária, a defesa técnica de Gonet e o rito do Conselho Superior resguardam as prerrogativas de presunção de inocência:
O procurador-geral Paulo Gonet nega taxativamente qualquer irregularidade, desvio de conduta ou favorecimento. Em manifestação oficial enviada aos conselheiros, ele declarou expressamente: “Não tenho com o Sr. Daniel Vorcaro relação de amizade alguma”, sustentando que os contatos foram protocolares e fortuitos, sem interferência em sua independência funcional.
O subprocurador-geral Nicolao Dino assume a presidência temporária em estrito cumprimento ao regimento interno do CSMPF, visto que ocupa a cadeira regulamentar de vice-presidente do colegiado, tendo o dever legal de conduzir as votações de forma neutra após a leitura do parecer do relator sorteado, Francisco de Assis Vieira Sanseverino.
Setores alinhados à PGR argumentam que a abertura do procedimento serve justamente para dar transparência ao caso e sepultar as tentativas da oposição de instrumentalizar vazamentos parciais de relatórios de inteligência para enfraquecer o órgão acusador em pleno período eleitoral.
Foto: STF