Pesquisa BTG/Nexus mostra Lula com 56% contra 27% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno entre beneficiários do programa, após o petista recuar de 64% e o senador subir de 17%; no segundo turno, Lula cai de 71% para 61%, enquanto Flávio avança de 23% para 34%
A nova rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (28), mostra uma mudança relevante no comportamento eleitoral entre os beneficiários do Bolsa Família. Nesse segmento, Lula caiu de 64% para 56% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro avançou de 17% para 27%. O levantamento foi realizado entre 25 e 27 de setembro, com 2 mil entrevistados e margem de erro de dois pontos percentuais.
O dado chama atenção porque a oscilação ocorre poucos dias após o anúncio, em 17 de setembro, de um reajuste de 15% no Bolsa Família. Segundo as informações divulgadas sobre a medida, o piso do benefício passaria de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio subiria de R$ 691 para R$ 777. Ainda assim, dentro do recorte pesquisado, a intenção de voto em Lula recuou oito pontos.
No segundo turno, a diferença também diminuiu de maneira expressiva entre os beneficiários do programa. Lula passou de 71% para 61%, enquanto Flávio Bolsonaro subiu de 23% para 34%. Trata-se de uma variação de dez pontos para cada lado, mostrando que a mudança registrada pelo levantamento não ficou restrita à disputa de primeiro turno.
O resultado, porém, deve ser interpretado como um retrato eleitoral do momento, e não como uma demonstração de causa e efeito entre o reajuste do benefício e a mudança nas intenções de voto. A pesquisa identifica a coincidência temporal entre os dois acontecimentos, mas os números, isoladamente, não permitem afirmar que o aumento do Bolsa Família tenha provocado a migração de votos.
O cenário também merece atenção porque ocorre em uma eleição nacional marcada por uma disputa apertada entre Lula e Flávio Bolsonaro. No conjunto do eleitorado, a mesma pesquisa registra Lula com 42% e Flávio com 37% no primeiro turno; no segundo turno, os números são de 46% e 44%, respectivamente. A pesquisa, portanto, mostra diferenças importantes entre o resultado geral e o recorte específico dos beneficiários do programa.
Mais do que confirmar uma mudança definitiva no comportamento eleitoral, os números colocam em evidência a disputa pelo eleitorado de menor renda e pelos grupos historicamente importantes para o PT. A evolução desse segmento nas próximas pesquisas será um dos indicadores a acompanhar para saber se a oscilação representa apenas uma variação momentânea ou se sinaliza uma mudança mais duradoura na distribuição das intenções de voto.
Texto: @fabiianobraga
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