Após o primeiro turno, críticas de Lula à postura de Eduardo Paes expõem divergências entre as campanhas presidencial e estadual no Rio de Janeiro, enquanto o resultado eleitoral amplia a pressão sobre os aliados para o segundo turno
Os resultados do primeiro turno das eleições de 2026 aprofundaram as tensões entre aliados no Rio de Janeiro e expuseram diferenças de estratégia entre a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a de Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo fluminense.
Após a votação, Lula reclamou a aliados da falta de apoio de Paes à sua candidatura presidencial. Segundo relatos publicados pela imprensa, o presidente avaliou que o ex-prefeito do Rio se omitiu durante a disputa nacional e não realizou uma defesa mais enfática de sua reeleição.
A insatisfação ocorreu depois de Lula terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL) no Rio de Janeiro. Flávio recebeu 53,01% dos votos válidos no estado, enquanto Lula registrou 39,41%, resultado que levou a campanha petista a discutir mudanças de estratégia para o segundo turno.
Durante reunião com aliados para reorganizar a campanha, Lula resumiu sua crítica à postura de Paes utilizando o ditado “quem tudo quer nada tem”. A declaração ocorreu enquanto integrantes do grupo analisavam o desempenho eleitoral e os apoios construídos no estado.
Paes, por sua vez, adotou durante o primeiro turno uma estratégia voltada principalmente para sua disputa pelo governo estadual. O candidato do PSD dosou aparições ao lado de Lula, ressaltou diferenças em relação ao presidente e buscou preservar espaço entre eleitores de diferentes campos políticos.
A estratégia também envolveu alianças ao centro e a decisão de não transformar sua campanha estadual em um confronto direto com o bolsonarismo. Essa postura passou a ser questionada por aliados de Lula depois do resultado das urnas, que consideraram insuficiente o envolvimento de Paes na campanha presidencial.
No cenário estadual, Paes também enfrentou um resultado abaixo do necessário para assegurar a vitória. Douglas Ruas (PL) recebeu 49,27% dos votos válidos inicialmente contabilizados, enquanto Paes ficou com 42,76%, em uma disputa que passou a depender também da situação jurídica dos votos atribuídos a Anthony Garotinho (Republicanos).
Garotinho obteve 3,17% dos votos, mas sua candidatura teve o registro indeferido. A desistência de seu recurso abriu uma disputa jurídica sobre a contabilização definitiva desses votos, com potencial para alterar o cálculo dos votos válidos e, consequentemente, definir se haverá segundo turno para o governo fluminense.
Paes recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral para defender a manutenção dos votos de Garotinho no cálculo eleitoral, enquanto a Procuradoria-Geral Eleitoral manifestou-se pela anulação. A decisão final do TSE tornou-se, assim, determinante para a definição da eleição estadual.
O cenário pós-primeiro turno evidencia uma relação política mais tensa entre Lula e Paes e mostra como as estratégias nacional e estadual seguiram caminhos distintos no Rio. Enquanto o presidente cobra maior participação de aliados na disputa presidencial, Paes enfrenta sua própria batalha política e jurídica para permanecer na corrida pelo governo do estado.
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